17/03/2026

Vinicius Marchese apresenta índice inédito para medir a infraestrutura do Brasil

Presidente do Confea apresenta ferramenta inédita para avaliar infraestrutura do Brasil

 

O presidente do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), Vinicius Marchese, apresenta hoje, 16 de março, uma ferramenta inédita para avaliar a infraestrutura brasileira. Trata-se do Infra-BR – Índice Confea de Infraestrutura do Brasil -, plataforma pública e gratuita que reúne indicadores capazes de medir, estado por estado, as condições estruturais do país e dimensionar os desafios para o desenvolvimento nacional.

A iniciativa surge em um momento em que o Brasil ainda investe muito abaixo do necessário no setor. Segundo relatório do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o país destina apenas cerca de 2% do seu Produto Interno Bruto (PIB) para infraestrutura, quando seriam necessários ao menos 4,5% para atender às demandas de crescimento econômico e melhoria da qualidade de vida da população.

De acordo com Vinicius Marchese, a ferramenta permitirá que gestores públicos e lideranças tenham uma visão mais clara das prioridades nacionais.

“A infraestrutura é um dos grandes desafios para o desenvolvimento brasileiro, mas o principal obstáculo é saber exatamente onde aplicar os recursos, em qual estado e em qual segmento. Com esses indicadores, será possível distinguir o que é urgente do que pode ser planejado, fortalecendo a priorização baseada em evidências”, afirma o presidente do Confea.

Marchese destaca ainda que o índice pode se tornar um instrumento importante para a gestão pública. “O índice desenvolvido pelo Confea pode contribuir para orientar decisões estratégicas e apoiar lideranças políticas e administradores públicos na definição de prioridades para investimentos em infraestrutura”, acrescenta.

Além da insuficiência de investimentos, estudos recentes também apontam a falta de transparência e de dados consolidados como um obstáculo para a tomada de decisões. A Revisão da Integridade da OCDE sobre o Brasil 2025 destaca justamente a carência de informações estruturadas sobre infraestrutura como um dos gargalos que dificultam avanços no país.

Para enfrentar esse cenário, o Confea desenvolveu o Infra-BR, um índice que reúne dados das 27 unidades da federação, organizados em seis dimensões, 20 componentes e 67 indicadores, apresentados em uma escala que vai de 0 a 100 pontos. A metodologia foi elaborada em parceria com a mesma equipe responsável pelo Índice de Progresso Social (IPS-Brasil) e inspirada no modelo utilizado há décadas nos Estados Unidos pela American Society of Civil Engineers (ASCE).

Os dados iniciais revelam grandes desigualdades regionais. O Distrito Federal aparece com a melhor pontuação, 74,67, enquanto o Acre registra apenas 28,46 pontos, o menor índice do país. Entre os oito estados que ficaram acima da média nacional, seis pertencem às regiões Sul e Sudeste, enquanto cinco dos sete piores resultados estão na região Norte.

Além de orientar políticas públicas, o Infra-BR também permitirá acompanhar a evolução da infraestrutura ao longo do tempo, oferecendo dados atualizados anualmente e criando parâmetros comparáveis entre estados e regiões. A ferramenta também poderá ajudar na identificação de vulnerabilidades territoriais, no enfrentamento de riscos climáticos e no aprimoramento da eficiência na gestão de recursos públicos.

O Infra-BR – Índice Confea de Infraestrutura do Brasil estará disponível gratuitamente a partir de 16 de março nos sites do Confea e da plataforma: www.infrabr.org.br. O Infra-BR avalia áreas em que a engenharia tem atuação direta, organizadas em seis dimensões principais:

* Energia e Conectividade – telecomunicações, geração, transmissão e distribuição de energia;
* Mobilidade – deslocamento intramunicipal, portos, escoamento de cargas, rodovias e aeroportos;
* Água – qualidade e distribuição de água;
* Bem-Estar Social e Cidadania – saúde, educação, moradia, assistência social, cultura e esporte;
* Meio Ambiente e Resiliência – adaptação climática, cobertura vegetal e conservação ambiental;
* Saneamento Básico – gestão de resíduos sólidos e esgotamento sanitário.


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