07/08/2025

CÓDIGOS DO SUCESSO: Adriano Marson

EMPRESÁRIO DO RAMO DE CONSTRUÇÃO: “Trabalhei como se tudo dependesse de mim e confiei em Deus como se tudo dependesse dEle”

Em 2005, minha vida mudou para sempre. Casei com o amor da minha vida, a Fabiana, e, dois meses depois, abri minha primeira loja. Sem estoque, sem clientes, sem garantia de sucesso. Tinha acabado de sair de um emprego estável, bem remunerado, para mergulhar no empreendedorismo com nada além de fé, coragem e um desejo profundo de construir algo meu. Foi um ano decisivo, um divisor de águas.

A Fabiana e eu nos conhecemos em 1998. Namoramos por sete anos até nos casarmos. Em 2006, nasceu o Davi. Em 2007, o Emanuel. Hoje, somos uma família unida, com filhos de 19 e 17 anos — e, se posso dizer, meus maiores orgulhos.

Lembro como se fosse hoje: no dia 1º de abril, data do aniversário da Fabiana, abri minha loja. Começar do zero é algo que testa todas as suas convicções. Eu tinha quase nada: pouco estoque, nenhuma clientela, um conhecimento técnico limitado sobre os produtos que vendia e um medo constante de fracassar. Mas também tinha um motivo forte: queria oferecer à minha esposa o mesmo padrão de vida que ela tinha antes de casar comigo. Ouvi muitas vezes que eu não daria conta. E foi exatamente isso que me deu força. Comecei aprendendo com os próprios clientes. Quando eu não sabia o que era um produto, convidava a pessoa a entrar atrás do balcão e se servir. Enquanto ela escolhia, eu observava e aprendia. Não havia plano B. Eu havia pedido demissão de um bom cargo. Queimei os barcos. E como diz a metáfora, quando não há retorno possível, você encontra a força para vencer. Foi assim que, seis meses depois, já estava fazendo minha primeira ampliação.

Trabalhei como se tudo dependesse de mim e confiei em Deus como se tudo dependesse dEle. Chegava às 5h da manhã, saía à meia-noite. Dormia pouco, sonhava muito. E funcionou. Porque o sucesso não se constrói com atalhos, mas com propósito e disciplina diária. Muita gente separa sucesso profissional de sucesso pessoal. Eu não. Para mim, sucesso é quando todas as áreas da vida estão alinhadas: o trabalho, a família, a fé. Não faz sentido ser referência na rua e ser ausente em casa. O maior empreendimento da minha vida é a minha família. E esse equilíbrio é, para mim, a parte mais gratificante da jornada. Ver que está dando certo — no presente contínuo — é o que me faz levantar todos os dias com disposição.

Hoje, ensino isso aos meus colaboradores. Não somos compartimentos isolados. Somos inteiros. Se estamos mal em casa, isso reflete no trabalho. Se estamos realizados profissionalmente, mas emocionalmente esgotados, algo está errado. É por isso que o sucesso precisa ser integral.

Sobre a nova geração, tenho refletido muito. Vejo muitos jovens com acesso a oportunidades que eu nunca tive, mas sem o senso de responsabilidade que essas oportunidades exigem. E entendo que essa falha é, em grande parte, culpa da nossa geração. Criamos filhos com mais conforto e menos consciência.

Educar não é simular dificuldades. É ensinar responsabilidade. Viajei para fora do país pela primeira vez aos 30 anos. Meus filhos foram aos seis. Não faz sentido puni-los por isso. O que faz sentido é ensiná-los a valorizar. Digo a eles: vocês têm o que eu não tive, e por isso a responsabilidade de vocês é ainda maior. Eles são protagonistas de uma era única — a “nova revolução industrial”, impulsionada pela tecnologia e pelo conhecimento acessível.

Talvez a maior lição que aprendi ao longo desses anos seja: não espere estar pronto para começar. Comece. A prontidão vem com o caminho. E nunca subestime o poder da coragem aliada à fé. Se eu pudesse deixar um conselho à nova geração, seria esse: tenham responsabilidade. Vivemos um tempo de oportunidades incríveis, mas também de distrações constantes. Quem souber se concentrar, construir e assumir o protagonismo da própria história, vai se destacar. Afinal, quando a concorrência é baixa, quem tem um olho é rei. A jornada não termina. Todos os dias precisamos reafirmar nosso propósito e cuidar das áreas que importam. Mas posso olhar para trás e dizer, com gratidão: está dando certo. E sigo, com fé e trabalho, para que continue assim.


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