21/03/2026

No Dia da Síndrome de Down, conheça a história de Mathias Susigan

Figura conhecida e querida em toda a cidade, Mathias, hoje com 35 anos, leva uma vida ativa e engajada, mas não longe de obstáculos comuns a pessoas com a mesma condição

Da redação

Com o copo térmico em mãos e o traje de fashion soccer que já se tornou sua marca registrada, Mathias Susigan não precisa de apresentações em Cosmópolis. Aos 35 anos, ele transita pela cidade com a tranquilidade de quem conhece cada esquina e é reconhecido em todas elas.

Quando fala de suas paixões — o Palmeiras, as canções de Roberto Carlos e a cerveja gelada com os amigos -, o ânimo na voz denuncia uma vida social que, como observa a mãe, Magda, costuma ser mais vibrante que a de qualquer familiar.

No entanto, por trás da popularidade, a trajetória de Mathias percorre o caminho comum a milhares de brasileiros com síndrome de Down: uma estrada marcada pela invisibilidade e pelos silêncios do poder público. Nascido em 1990, ele cresceu em um cenário onde a inclusão ainda engatinhava.

Durante a infância, na escola, a falta de inclusão e de profissionais capacitados, à época, o afastou das salas de aula regulares. Já mais velho, ele ocupou um posto de trabalho por dois anos, mas a ausência de mediação adequada e de ferramentas de aprendizado específicas interrompeu sua permanência. Parte de sua trajetória de vida revela as arestas de uma sociedade que ainda não aprendeu a acolher plenamente a diversidade. De acordo com a família, grande parte de seu desenvolvimento está ligada ao apoio e à convivência constante de amigos que fazem parte do seu dia a dia.

“Eu estou aqui como mãe, mas também representando muitas famílias brasileiras que lutam todos os dias para que seus filhos sejam vistos com respeito e tenham oportunidades. A Síndrome de Down não define quem eles são. Eles têm capacidades, sonhos e muito a contribuir com a sociedade”, afirma a mãe, Magda.

“O que precisamos no Brasil é de políticas públicas que funcionem de verdade: escolas preparadas para incluir, acesso às terapias, profissionais capacitados e oportunidades no futuro. Quando um país inclui uma pessoa com deficiência, ele se torna melhor para todos. Inclusão não é caridade, é direito”, continua.

Mesmo diante das adversidades, Mathias construiu uma rotina ativa e participativa. Com presença constante na cidade, ele também exerce seu papel como cidadão politicamente engajado: possui título de eleitor, acompanha o cenário local e mantém boa relação com a política, o que já foi de grande valia para angariar emendas parlamentares à APAE, onde estudou por alguns anos.

Entre outras iniciativas das quais participa, está o plantio de ipês em alusão ao Dia Internacional da Síndrome de Down, celebrado neste dia 21 de março. A ação, iniciada junto à Secretaria de Agricultura e já realizada em diferentes pontos da cidade, terá continuidade na próxima semana, com o plantio de três novas mudas em comemoração à data.

Dia Internacional da Síndrome de Down

A Síndrome de Down não é uma doença, mas uma condição genética causada pela presença de um cromossomo 21 extra, fazendo com que a pessoa tenha 47 cromossomos. Ela pode apresentar características físicas semelhantes e diferentes níveis de deficiência intelectual.

O Dia Internacional da Síndrome de Down, celebrado em 21 de março, foi criado para conscientizar a sociedade sobre a importância da inclusão, igualdade de direitos e bem-estar dessas pessoas. A data faz referência à trissomia do cromossomo 21 e foi oficializada pela ONU em 2011.

No Brasil, cerca de 300 mil pessoas têm a condição. Apesar dos avanços, ainda enfrentam desafios de inclusão, o que reforça a importância da informação e da conscientização para ampliar direitos e oportunidades em áreas como educação, trabalho e convivência social.

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