20/03/2025

Causa autista aparece em três indicações ao Executivo na Câmara de Engenheiro Coelho

Manifestações, de autoria da parlamentar Bruna Campos (PL), propõem tratativas acerca do ambiente de aprendizado da criança autista e da inclusão de jovens com TEA no mercado de trabalho

Da redação

Pautas ligadas à causa autista foram citadas em três indicações ao Executivo na sessão ordinária da Câmara dos Vereadores de Engenheiro Coelho realizada no início desta semana (segunda-feira, 17), todas de autoria da vereadora Bruna Campos (PL).

A primeira indicação da trinca lida na Casa foi referente à criação de um segmento de estágios remunerados em vistas de jovens que tenham o Transtorno do Espectro Autista (TEA), medida que, segundo o documento, incentivaria a inclusão desse recorte social no mercado de trabalho.

Outra das indicações foi na direção de propor um tipo de capacitação específica a ser dada a professores, cuidadores e profissionais de apoio da rede municipal de ensino que lidem “com crianças com necessidades especiais”.

“Não é fácil você lidar com uma criança especial sem conhecimento nenhum”, avaliou Bruna durante a leitura das indicações. “É importante que esses responsáveis tenham essa qualificação”.

A terceira indicação lida trata de propor que os profissionais que já atuam em escolas acompanhando o desenvolvimento de crianças portadoras de necessidades especiais lidem com os mesmos estudantes de forma contínua. Segundo a vereadora, a medida em vistas de não romper com o relacionamento entre a criança e o cuidador.

“A criança com espectro autista tem muita dificuldade, às vezes, no social, no relacionamento, para criar uma confiança pelo cuidador. Se a agente muda de cuidador a cada três meses, seis meses ou todo ano, isso dificulta o aprendizado, dificulta todo o estar ali na escola”, explicou.

Bruna Campos (PL), autora das indicações, em entrevista ao Portal On

Beatriz Melo, de 23 anos, que é babá e trabalha atualmente em uma instituição de acolhimento infantil, conta que a dificuldade em construir um laço com crianças autistas é um desafio real. “Eu já cuidei de uma criança autista em 2021. Eu era babá de uma criança autista e ele era uma criança não verbal. No início foi muito difícil, porque essa construção desse contato dele comigo foi muito difícil. No início, ele não gostava de mim e eu ficava muito perdida, porque eu não sabia o que fazer”, relata.

“Ao longo do tempo que eu fui passando com ele, eu fui começando a entender como aquela criança funcionava, sabe? Quais eram os limites, quais eram as barreiras”, diz.

Ela detalha que crianças no espectro autista compreendem o mundo de maneira diferente, e que leva tempo até que o profissional se adequar e entender a melhor maneira de agir em cada situação. “Atualmente, tem um [aluno autista] que eu estou cuidando, e ele é muito fofo. Ele é muito, muito gentil. Ele tem alguns comportamentos muito repetitivos. Por exemplo, toda hora ele quer assistir McQueen [Relâmpago McQueen, personagem da franquia de animação da Pixar “Carros”, lançada em 2006]. Mas não dá para assistir McQueen toda hora. Então, eu me sento com ele, converso e falo: olha, agora, não dá”, diz.

Uma estimativa do IBGE aponta que aproximadamente 2 milhões de pessoas no Brasil se enquadram no TEA, o que corresponde a 1% da população total do país. No entanto, as bases diagnósticas e o alcance demográfico ainda são um desafio, uma vez que tratativas mais aprofundadas sobre pessoas que possuem o Transtorno ainda são algo recente no cenário Brasileiro.

O autismo foi incluído no censo demográfico há apenas 5 anos, no recenseamento de 2020, por determinação da Lei n. 13.861, de 18 de julho de 2019 (o Censo de 2020 não aconteceu devido à pandemia da Covid-19, e o Censo Demográfico de 2022 foi o primeiro a coletar dados sobre autismo; o IBGE ainda está analisando os resultados). Um modelo unificado da Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Ciptea) foi anunciado recentemente, em abril de 2022, pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH).

Além disso, outro atravanque para os diagnósticos é o fato de o TEA variar em intensidade, fazendo com que pessoas que possuem graus leves do distúrbio demorem a receber o diagnóstico, ou mesmo nem recebam.

Apesar das atenções especiais que o TEA exige, Beatriz Melo explica que não há necessidade de fazer acepção das crianças que possuem o diagnóstico.

“Eles são crianças maravilhosas, você só precisa estar disposto a olhar ele com olhos diferentes, a entender que, talvez, a maneira como você lida com eles seja um pouco diferente de lidar com outras crianças que não têm um diagnóstico como esse”, sugere.


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