11/08/2025

Dia do Estudante: Engenheiro Coelho é cenário da carreira de estudantes do Brasil e do mundo

O Portal On falou com universitários que vieram de diversas regiões país (e de fora dele) sobre suas experiências estudantis

Portal On conversou com estudantes que vieram de fora do país para estudar em Engenheiro Coelho – imagem: Cedidas/Arte Portal On

Felipe Pessoa

O 11 de agosto, data desta segunda-feira, é conhecido como Dia do Estudante. O marco foi criado em 1927 como homenagem aos cem anos de fundação dos primeiros cursos de ciências jurídicas do país. Engenheiro Coelho é cenário da formação profissional de estudantes de diversas áreas; localidade de um dos campi do Centro Universitário Adventista de São Paulo, o Unasp, a cidade recebe moradores não só de vários estados brasileiros, como também de outros países.

Vefiola Shaka, natural da Albânia, fala sete idiomas, um dos quais é o português, e é estudante do curso de jornalismo da universidade. Ela diz que escolheu a área por inspiração de seu pai, que foi repórter na Albânia durante o regime ditatorial no país.

“Pra mim, pessoalmente, a educação é algo muito importante. Sempre ouvi muitas pessoas dizerem que estudar vai me fazer ser alguém na vida, e, realmente, esta frase faz sentido quando eu penso em mim como uma profissional de comunicação, jornalista. Assim, eu consigo ajudar com responsabilidade e entender as situações com sensibilidade”, explica.

Ela conta que recebeu uma bolsa de estudos para estudar no Brasil quando estava em seu terceiro ano do ensino médio, ainda na Albânia. Para ela, a distância de suas raízes é algo que pesa, mas que não a impede de manter o vínculo. “Estar longe da família é um pouco difícil, porque não é aquela distância de algumas horas; um oceano me separa de casa. Sempre tento conversar com a minha mãe e com outros familiares e amigos. Em todos os aniversários ou festas que eles comemoram, eu sempre estou presente, só que através de uma tela”, relata.

“O Brasil é uma realidade diferente, a comida é totalmente diferente, mas, mesmo assim, eu estou muito acostumada e gosto bastante. Quando volto pra Albânia, até sinto falta do estrogonofe”, brinca, e acrescenta dizendo que gosta, no Brasil, do jeito acolhedor e animado das pessoas.

Apesar de estudantes como Vefiola empreenderem o esforço de viajar por quilômetros para estudar em outro país, este não é o panorama geral da maioria dos estudantes, e a evasão no ensino superior é considerada crítica. Segundo o Mapa do Ensino Superior 2024 (Semesp), a taxa global de evasão atinge 57,2% dos ingressantes em cursos presenciais e a distância. A evasão é mais alta na rede privada (61%) do que na pública (<40%). Cursos a distância perdem ainda mais: 64% dos ingressantes evadem na EaD, contra 52,6% nos presenciais. Fatores apontados incluem dificuldades financeiras, falta de alinhamento entre curso e expectativa, rotatividade de emprego e baixa preparação acadêmica.

Parte da evasão pode refletir ajuste de expectativas: mais da metade dos calouros desiste, mas isso pode indicar que haja dificuldade em permanecer em um curso que consideram inadequado para si. Algumas pesquisas nacionais de análise de sobrevivência mostram que bolsas públicas reduzem o risco de abandono: estudantes com financiamento FIES ou bolsas integrais do ProUni apresentam probabilidade de evasão menor, de acordo com dados do IPEA.

A estudante de psicologia Vasjana, que também é albanesa, passa por algo parecido com o que Vefiola vive: “Você não tem seus familiares, seus parentes por perto para te suportar, a qualquer coisa que for necessária para você… O apoio e tudo… É muito difícil, faz falta, mas a gente tenta manter esse contato”, diz.

Ela afirma que o que chama sua atenção no ambiente universitário brasileiro é o acolhimento que os professores dão aos estudantes. “Acho que é algo característico do Brasil, esse apoio dos professores, essa coisa de eles te tratarem muito bem, sabe? Eles são muito mais afetuosos, são muito mais abertos para te ouvir quando você tem dificuldade.”

Para Vasjana, a educação tem papel fundamental em sua formação como cidadã e em sua preparação para ser membro de uma sociedade funcional. Para ela, é algo que aparece até mesmo em sua área de estudo.

A experiência de Dani Polanco foi um pouco diferente: ela foi alfabetizada e havia terminado o 6º ano do ensino fundamental em Lima, no Peru, quando veio para o Brasil. Em Lima, ela teria ido para o primeiro ano do ensino médio. No Brasil, seguiu a trilha da maioria dos estudantes e continuou no Ensino Fundamental até o 9º ano. Hoje, estuda Psicologia e Rádio e Televisão, e até já escreveu um livro em português, que passou a ser sua segunda língua.

Logo de cara, o que mais chamou sua atenção na educação brasileira foram os horários das aulas. No Brasil, as aulas começam usualmente às 7h e terminam por volta das 12h, enquanto no Peru ela começava a estudar às 7h45 e terminava por volta das 15h.

Dani conta que a variedade cultural do Brasil é algo que a faz se sentir “mais interessada em relação a saber das raízes das pessoas. E o que me leva também a ser um pouco mais simpática com as pessoas que me rodeiam, com quem convive comigo e com as pessoas que eu chego a conhecer”.

Em 2024, ela e mais cinco autores lançaram o Explorando Emoções, livro independente que contém seis histórias que tratam das emoções humanas sob uma abordagem voltada para o cristianismo, com alguma dose de psicologia. A inspiração veio do filme Divertidamente.

Se tem algo que se pode tirar de todas as histórias dos diversos estudantes que passam pela cidade, é a marca que o Brasil deixa em quem passa por ele: seja no acolhimento que Vasjana cita ou mesmo no estrogonofe de que Vefiola sente saudades quando volta à Albânia durante as férias. Para Ola, como é chamada pelos amigos próximos, a questão cultural é tão significativa que ela chega a cogitar estudar sobre a área. “Pretendo fazer mestrado relacionado à pesquisa e cultura, ou especialização relacionada com a comunicação intercultural”, diz.

Mas para ela, pelo menos, o dilema segue: “Permanecer no Brasil ou voltar para a Albânia com certeza é uma das minhas maiores dúvidas, pois estes dois mundos têm muito a me oferecer”, pontua.


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