Mais de 30% do eleitorado de Holambra tem Fundamental incompleto
Especialistas opinam sobre reflexos da baixa escolaridade dos eleitores no pleito municipal.

Leonardo Saimon / Rui do Amaral
Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a maioria do eleitorado em Holambra não possui Ensino Fundamental completo. Em números concretos significa dizer que 3.283 holambrenses tem o Fundamental Incompleto e devem votar no próximo domingo (02), ou 31% dos eleitores. A média da cidade ultrapassa a porcentagem nacional. No Brasil, 28,5% dos eleitores não concluíram o Ensino Fundamental.
Ainda segundo site do Tribunal, dos 10.405 holambrenses na votação ao pleito municipal deste ano, 19,9% – cerca de 2.075 pessoas – dos eleitores de Holambra registrados no TSE tem o Ensino Médio, porém incompleto e 17% – 1.799 pessoas – concluíram o segundo grau. Outro dado curioso, está no número de eleitores sem escolaridades em relação aos que possuem Ensino Superior. No primeiro grupo, 1.026 pessoas estão aptas a votar, número superior ao segundo grupo que conta com apenas 734 eleitores.
| Grau de instrução | Homens | Mulheres | Total |
|---|---|---|---|
| Analfabeto | 105 | 183 | 288 |
| Ensino Fundamental Completo | 404 | 403 | 807 |
| Ensino Fundamental Incompleto | 1.815 | 1.468 | 3.283 |
| Ensino Médio Completo | 812 | 987 | 1.799 |
| Ensino Médio Incompleto | 1.052 | 1.023 | 2.075 |
| Lê e Escreve | 525 | 497 | 1.026 |
| Superior Completo | 306 | 428 | 734 |
| Superior Incompleto | 162 | 231 | 393 |
| Total | 5.181 | 5.220 | 10.405 |
De acordo com o cientista político da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) Marcelo Santos, o resultado apontado pelo levantamento comprova que a qualidade da política aplicada no país é apenas um reflexo da população. “Esta falta de escolaridade não é algo específico de município pequeno, já que o fenômeno também aparece em cidades maiores. Isso reflete a baixa qualidade cultural e intelectual do brasileiro em geral”, aponta.
Já para Carlos Manhanelli, também cientista político e formado em Marketing Político pela Universidade Pontifícia de Salamanca (Espanha), a questão é mais profunda e tira do eleitor parte da responsabilidade quando este não adota um voto consciente. “O problema não é que a maioria dos eleitores não tem estudo, isso não é nenhuma novidade, já que a educação do Brasil, de maneira geral, é precária”, aponta o especialista.
Segundo a análise de Manhanelli, é o sistema político brasileiro que apresenta deficiência. “A questão a ser repensada é o fato do voto ainda ser obrigatório, este sim é o maior problema. Em países como os Estados Unidos, por exemplo, menos da metade da população vai às urnas. Isso mostra que apenas quem realmente se preocupa com o futuro da nação é que se presta a votar. Acaba que se extinguem os votos brancos e nulos e há uma politização muito maior das pessoas em geral”, completa.
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