28/09/2016

Mais de 30% do eleitorado de Holambra tem Fundamental incompleto

Especialistas opinam sobre reflexos da baixa escolaridade dos eleitores no pleito municipal.

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Leonardo Saimon / Rui do Amaral

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a maioria do eleitorado em Holambra não possui Ensino Fundamental completo. Em números concretos significa dizer que 3.283 holambrenses tem o Fundamental Incompleto e devem votar no próximo domingo (02), ou 31% dos eleitores. A média da cidade ultrapassa a porcentagem nacional. No Brasil, 28,5% dos eleitores não concluíram o Ensino Fundamental.

Ainda segundo site do Tribunal, dos 10.405 holambrenses na votação ao pleito municipal deste ano, 19,9% –  cerca de 2.075 pessoas – dos eleitores de Holambra registrados no TSE tem o Ensino Médio, porém incompleto e 17% – 1.799 pessoas – concluíram o segundo grau. Outro dado curioso, está no número de eleitores sem escolaridades em relação aos que possuem Ensino Superior. No primeiro grupo, 1.026 pessoas estão aptas a votar, número superior ao segundo grupo que conta com apenas 734 eleitores.

Grau de instruçãoHomensMulheresTotal
Analfabeto105183288
Ensino Fundamental Completo404403807
Ensino Fundamental Incompleto1.8151.4683.283
Ensino Médio Completo8129871.799
Ensino Médio Incompleto1.0521.0232.075
Lê e Escreve5254971.026
Superior Completo306428734
Superior Incompleto162231393
Total5.1815.22010.405

De acordo com o cientista político da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) Marcelo Santos, o resultado apontado pelo levantamento comprova que a qualidade da política aplicada no país é apenas um reflexo da população. “Esta falta de escolaridade não é algo específico de município pequeno, já que o fenômeno também aparece em cidades maiores. Isso reflete a baixa qualidade cultural e intelectual do brasileiro em geral”, aponta.

Já para Carlos Manhanelli, também cientista político e formado em Marketing Político pela Universidade Pontifícia de Salamanca (Espanha), a questão é mais profunda e tira do eleitor parte da responsabilidade quando este não adota um voto consciente. “O problema não é que a maioria dos eleitores não tem estudo, isso não é nenhuma novidade, já que a educação do Brasil, de maneira geral, é precária”, aponta o especialista.

Segundo a análise de Manhanelli, é o sistema político brasileiro que apresenta deficiência. “A questão a ser repensada é o fato do voto ainda ser obrigatório, este sim é o maior problema. Em países como os Estados Unidos, por exemplo, menos da metade da população vai às urnas. Isso mostra que apenas quem realmente se preocupa com o futuro da nação é que se presta a votar. Acaba que se extinguem os votos brancos e nulos e há uma politização muito maior das pessoas em geral”, completa.


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