Mulheres que Inspiram: Rosana Tavares e a Arquitetura como Expressão de Arte
Neste Dia das Mulheres, a arquiteta Rosana Tavares destaca a importância da preservação do patrimônio histórico, relembra sua trajetória profissional e reforça o papel da união feminina na construção de uma sociedade mais justa e consciente

Ana Clara Diogo
Natural de Leopoldina (MG), a arquiteta e especialista em preservação do patrimônio cultural Rosana Tavares construiu uma trajetória marcada pelo olhar atento às cidades e às histórias que elas carregam. Fascinada por arte e arquitetura desde a infância, foi ainda menina que despertou o desejo de seguir a profissão após visitas marcantes a construções históricas.
Ao longo da carreira, Rosana se consolidou como uma defensora da memória urbana e das políticas públicas voltadas à preservação. Entre suas propostas está a criação de uma cartilha destinada a orientar prefeituras na estruturação de conselhos de patrimônio. A arquiteta também destaca que qualquer cidadão pode solicitar o tombamento de um bem cultural, o que, segundo ela, ajuda a democratizar o cuidado com a história das cidades.
Patrimônio histórico e sustentabilidade
Para Rosana, o debate sobre preservação está cada vez mais presente, principalmente entre os jovens.
“Hoje em dia, os jovens têm essa mentalidade mais aflorada de preservar e pensar na sustentabilidade. Muitas vezes não é necessário construir algo do zero quando já existe uma estrutura feita com tanta qualidade, que pode apenas ser atualizada, revitalizada ou restaurada”, afirma.
Ela ressalta que essa visão não se aplica apenas a prédios históricos, mas também às casas de família, que muitas vezes carregam histórias e características arquitetônicas únicas.
“Às vezes você tem a casa de uma avó ou de uma tia que é linda, cheia de história, e que pode ser renovada em vez de demolida. É muito difícil encontrar hoje materiais com a mesma beleza e qualidade dos antigos. Comparar um porcelanato com uma ladrilha hidráulica, por exemplo, chega a ser até piada”, relata.
Vocação para a arquitetura
Segundo Rosana, a escolha pela arquitetura aconteceu muito cedo. Desde os 10 anos, ela já tinha certeza da profissão que queria seguir.
“Desde sempre eu quis ser arquiteta. Acho que desde os 10 anos já tinha isso muito claro. Sempre gostei de desenhar e pensava no que poderia fazer no futuro. Também sempre tive um lado social muito aflorado. Lutar pelo que a gente ama é cumprir o nosso papel na sociedade, pensando no coletivo e em como a nossa profissão pode ajudar as pessoas, principalmente outras mulheres”, conta.
Carreira e família
Mãe de quatro filhos, Rosana afirma que conseguiu equilibrar a vida profissional com a familiar, apesar dos questionamentos que enfrentou ao longo da trajetória.
“Muitas pessoas diziam: ‘como uma mulher com quatro filhos vai conseguir manter uma carreira?’. Mas eu consegui e cresci muito rápido profissionalmente. Aos 25 anos, me tornei diretora”, relembra.
Segundo ela, a dedicação e o compromisso com a qualidade do trabalho foram fundamentais para seu crescimento. “Sempre procurei entregar qualidade no meu trabalho, mais do que quantidade. Inclusive, muitas vezes eu levava meus filhos comigo para as obras”, afirma.
Interesse por Jaguariúna
O interesse de Rosana pela cidade de Jaguariúna surgiu ao observar a forte presença da arquitetura de influência europeia, especialmente nas casas que refletem a imigração italiana na região.
De acordo com a arquiteta, o charme, o crescimento e a relevância histórica do município despertaram seu interesse em desenvolver uma pesquisa editorial sobre a cidade.
O significado de ser mulher
Ao refletir sobre o papel feminino na sociedade atual, Rosana destaca a importância da união e do respeito.
“Eu acho que ser mulher hoje em dia é a gente ser mais forte, praticamente desenhar caminhos para sermos respeitadas. Independente da sua ideologia, da sua classe social ou da sua religião, você tem que ser respeitada. Então, eu acho que se a gente se unir mais, seremos mais fortes”, conclui.
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