13/09/2026

Da mecanização aos drones: agrônomo destaca evolução e desafios da

No Dia Mundial do Agrônomo, Rogério Marçal fala sobre as transformações do setor, fiscalização, preservação do solo e a importância da profissão para a produção de alimentos

 

 

Ana Clara Diogo

Neste domingo (13), é celebrado o Dia Mundial do Agrônomo, data que destaca a importância dos profissionais responsáveis por atuar em diferentes etapas da produção agrícola. Para entender melhor as transformações e os desafios do setor, conversamos com Rogério Marçal, engenheiro agrônomo com 35 anos de carreira.

Ao longo de mais de três décadas de profissão, Marçal acompanhou profundas mudanças na agricultura brasileira. Segundo ele, a tecnologia transformou desde o trabalho no campo até as formas de aplicação de produtos e monitoramento das lavouras.

“Desde a época em que me formei, são 35 anos, quase 36, e nesse período a agricultura mudou muito. A agricultura no Brasil hoje é bem dinâmica”, afirma.

Entre as principais transformações, o agrônomo destaca a chegada dos computadores, dos celulares e de novas tecnologias voltadas à mecanização agrícola. Equipamentos e implementos passaram a ser desenvolvidos para diferentes tamanhos de propriedades, atendendo desde grandes produtores até a agricultura familiar.

Um dos exemplos citados por Marçal é a evolução da pulverização agrícola. O que antes era realizado principalmente com máquinas terrestres passou também a utilizar aviões e helicópteros e, atualmente, conta cada vez mais com o uso de drones.

As mudanças também alcançaram os insumos utilizados na produção. Segundo o profissional, novas moléculas e produtos mais eficazes vêm sendo desenvolvidos, com diferentes características e períodos de carência, acompanhando as necessidades da agricultura.

Fiscalização e defesa agropecuária

Além da atuação diretamente ligada à produção, os engenheiros agrônomos exercem papel importante na fiscalização e na defesa agropecuária, especialmente na área de sanidade vegetal.

Marçal explica que o trabalho envolve a fiscalização e auditoria do cumprimento das normas sanitárias, com ações realizadas em propriedades rurais, estabelecimentos comerciais, rodovias e aeroportos.

“Hoje nós temos um conjunto de normas. A gente fiscaliza e audita as ações práticas nessas normas, indo nas propriedades, nos comércios ou mesmo realizando fiscalizações em rodovias e aeroportos”, explica.

Outra atividade importante é a certificação de produtos destinados à exportação. No caso dos citros, por exemplo, são certificadas propriedades e empresas responsáveis pela consolidação dos produtos que serão enviados para outros países.

Para o agrônomo, esse trabalho é fundamental para garantir a sanidade dos produtos agrícolas e a segurança de toda a cadeia produtiva.

Combate aos produtos clandestinos e preservação do solo

Entre os principais desafios atuais, Marçal aponta a fiscalização de agrotóxicos e o combate à entrada e comercialização de produtos clandestinos ou utilizados de maneira inadequada.

Ele ressalta que a aplicação deve respeitar as orientações do rótulo e da bula, além de ser realizada mediante receituário agronômico.

Outro ponto de preocupação é a conservação do solo. O aumento do tamanho das máquinas agrícolas e a necessidade de adaptar o campo à mecanização podem, quando não acompanhados de técnicas adequadas, provocar problemas como erosão, compactação e perda de solo fértil.

“O solo é um patrimônio que passa de pai para filho e, como sua renovação é um processo extremamente demorado, precisamos preservá-lo e melhorar sua qualidade continuamente, evitando perdas”, destaca.

Na avaliação do profissional, a conscientização dos produtores e o cumprimento das técnicas e leis de conservação são fundamentais para garantir a produtividade no longo prazo.

Doenças e novas pragas também exigem atenção

O controle e o monitoramento da entrada de novas pragas e doenças estão entre as preocupações da defesa agropecuária. Marçal cita o greening, doença que afeta os citros e representa um dos principais desafios para a citricultura paulista.

Segundo ele, é necessário investir continuamente em técnicas capazes de reduzir os impactos da doença e, no futuro, encontrar soluções ainda mais eficazes para garantir a produtividade e diminuir as perdas dos agricultores.

Destinação correta das embalagens

O trabalho de fiscalização também acompanha o uso e a destinação de produtos agrícolas, incluindo os biológicos.

Um dos pontos destacados por Marçal é a necessidade de recolhimento das embalagens vazias, que devem ser encaminhadas às unidades de recebimento. As embalagens que podem ser recicladas passam pelo processo de reaproveitamento, enquanto aquelas que não podem ser recicladas recebem destinação adequada, incluindo a incineração quando prevista.

O reaproveitamento permite que materiais de alta qualidade sejam utilizados na fabricação de produtos indiretos, contribuindo para retirar resíduos do meio ambiente e das propriedades rurais.

“Sou apaixonado pela profissão”

Com 35 anos de experiência, Rogério Marçal afirma que escolheria novamente a agronomia se tivesse a oportunidade de voltar ao início da carreira.

“Eu gosto da profissão, sou apaixonado por ela. Se tivesse que fazer, faria novamente”, afirma.

Para ele, o engenheiro agrônomo está presente em praticamente todas as etapas da produção de alimentos, atuando na pesquisa, administração de propriedades, produção, sanidade, conservação do solo, formação de pastagens, silagem e desenvolvimento de novas tecnologias.

“Hoje, 99% de todo produto agrícola que chega à mesa do consumidor, direta ou indiretamente, passa por um engenheiro agrônomo”, afirma.

Marçal também destaca que a atuação do profissional se estende a novas formas de produção, como ambientes controlados e climatizados, nos quais o conhecimento agronômico é utilizado para planejar e desenvolver os sistemas produtivos.

Profissão exige preparo e atualização

Apesar de defender maior reconhecimento para a categoria, o agrônomo ressalta que o mercado de trabalho está cada vez mais exigente.

Para quem pretende ingressar na profissão, segundo ele, não basta apenas concluir a graduação. É necessário acompanhar a evolução tecnológica, conhecer as novas técnicas e entender as demandas dos produtores e do mercado.

“A tecnologia está batendo na porta, os produtores estão mais exigentes e o mundo está exigente. Temos que adequar a necessidade do mercado à agricultura. Não adianta ser amador”, afirma.

Na avaliação de Marçal, a agronomia continuará tendo papel fundamental diante dos desafios da produção de alimentos, mas exigirá profissionais cada vez mais preparados e dispostos a aprender.

“Quem vai para a área tem que saber que vai ter que cada vez melhorar as suas técnicas e estar ciente de que tem que ser feito o negócio certo. Hoje em dia não está se aceitando muito erro.”

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