Dia do Trabalhador: a resistência de um jornaleiro em Jaguariúna
Jair Leite, que há décadas mantém viva a tradição do impresso, relembra histórias com clientes e se prepara para encerrar um ciclo marcado por resistência e afeto

Ana Clara Diogo
No dia 1º de maio é comemorado o Dia do Trabalhador. A data é marcada por luta e resistência, e para marcá-la, o Portal ON conversou com Jair Leite, um jornaleiro que é sinônimo de resiliência na contramão da tecnologia e da era digital. Jair luta e resiste pelo impresso com sua banca de jornal, com características dos anos 90 e início dos anos 2000, ainda localizada na Rua General Gomes Carneiro, no bairro Jardim Berlim, em Jaguariúna.

Jair conta que, há 10 anos, leu no ‘Estadão’ que a banca iria acabar em 10 anos, e, infelizmente, ele vem sentindo essa transformação. O jornaleiro relata um pouco dessas mudanças: “Anos atrás vendia 40 [revista] Cláudia por mês, hoje vende 1; vendia 50 [jornais] Estadão no domingo, hoje vende 10; vendia 50 [revistas] Veja por fim de semana, hoje vende 5. O comércio degradou, ninguém deixou de ler essas revistas e jornais, passaram a ler no digital…”, relata.
Sendo assim, Jair, dono de banca desde 1998, já prevê o fim dessa jornada. Ele viu o negócio como um entretenimento e investimento, e mergulhou ainda mais nesse mundo quando se aposentou em 2014. Jair teve uma banca por anos em Holambra, que era cuidada por outra pessoa enquanto ele ainda trabalhava, mas mantém o mesmo ponto de venda em Jaguariúna desde sua aposentadoria e relata que vive esse trabalho, anulando até parte da vida pessoal para ser leal ao seu negócio.
O apaixonado pelas folhas de papel e a era das palavras físicas, fala com amor de seus clientes. Durante a entrevista, inclusive, um adolescente veio perguntar sobre as figurinhas da Copa do Mundo 2026 e ele relatou: “Esse eu conheço desde os 5 anos de idade”. Ele conta que viu clientes crescerem, que metade do seu público ainda é infantil e que mantém uma boa relação com a criançada: “Eles chegam aqui e eu falo: se fizerem a lição de casa e ajudarem a mãe, eu dou um presente da banca, e eu realmente presenteio”.
E por falar em Copa, Jair se sente próximo desse público, principalmente em anos de álbuns da Copa do Mundo, onde as figurinhas viram febre. Ele conta que é um momento de muito movimento, que se destoa dos demais períodos do ano, com crianças e colecionadores utilizando a banca como ponto de troca dessas figurinhas.
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