21/09/2026

Do morango do amor ao cravejado: a fruta que virou fenômeno em Jaguariúna e em todo o Brasil

Juliana Diegoli, proprietária da confeitaria Amarena e pós-graduada em Gastronomia, explica como a sazonalidade da fruta e as trends movimentam o mercado de doces e atraem novos clientes

Ana Clara Diogo

Neste inverno de 2026, o morango cravejado conquistou as redes sociais e se tornou uma das sobremesas mais comentadas da estação. A receita combina um morango fresco envolto em brigadeiro branco, cobertura de chocolate branco e pedaços crocantes de caramelo vermelho.

O sucesso, porém, não é uma novidade quando o assunto é morango. No inverno do ano passado, outra sobremesa à base da fruta ganhou popularidade: o morango do amor. As duas receitas têm uma apresentação semelhante e compartilham o morango como protagonista, mas se diferenciam principalmente pela cobertura. Enquanto o morango cravejado recebe brigadeiro branco, chocolate e pedaços de caramelo, o morango do amor é tradicionalmente envolto apenas por uma camada crocante de caramelo vermelho

Além de terem o morango como protagonista, as duas tendências têm outro ponto em comum: o período do ano em que viralizaram. A coincidência ajuda a explicar por que essas sobremesas ganham espaço justamente durante o inverno. A estação coincide com um período de maior oferta da fruta, o que favorece seu uso na confeitaria e amplia a variedade de receitas que chegam às vitrines.

Mas, para entender melhor o fenômeno e o que existe por trás da escolha dos ingredientes, das tendências e do comportamento dos consumidores, conversamos com Juliana Diegoli, pós-graduada em gastronomia e proprietária da confeitaria Amarena.

Para a empresária, acompanhar uma tendência pode ser uma oportunidade para os negócios, mas é preciso avaliar se o produto realmente combina com a identidade da empresa. Foi o que aconteceu com o morango do amor, que, segundo ela, trouxe não apenas um aumento nas vendas, mas também novos clientes para a confeitaria.

“Foi um produto isca”, explica Juliana ao falar sobre o doce. Segundo ela, pessoas que ainda não conheciam a Amarena chegaram até a loja atraídas pelo produto, inclusive clientes de Campinas. O desafio, depois do sucesso momentâneo, passou a ser transformar essa primeira visita em uma relação duradoura com a marca.

A experiência também se repetiu, em menor escala, com o morango cravejado. A empresária conta que o doce teve boa procura, mas não alcançou o mesmo impacto do morango do amor. Para ela, a diferença também está na própria composição das sobremesas e na aceitação do paladar.

A gastrônoma defende que nem toda receita viral precisa necessariamente entrar no cardápio. “Você tem que ter a tua identidade, tem que aproveitar algumas oportunidades da modinha, mas que você não perca a sua essência”, afirma.

A escolha também passa pela sazonalidade. Segundo a confeiteira, trabalhar com frutas da época pode ajudar a reduzir custos e permite explorar melhor os ingredientes disponíveis em cada período do ano. O morango, que ganha força entre os meses de julho, agosto e setembro, acaba ocupando lugar de destaque nas receitas de inverno.

Para Juliana, a fruta ainda possui uma característica que contribui para sua permanência na confeitaria: a versatilidade. O morango combina com diferentes preparações e ingredientes, especialmente o chocolate, além de transitar entre sobremesas mais refrescantes e outras associadas ao aconchego.

Na Amarena, por exemplo, o morango não fica restrito à temporada. A fruta está presente durante todo o ano em produtos como a taça da felicidade, bolos e outras sobremesas.

“O morango hoje na confeitaria não tem como você retirar. Ele é a fruta estrela hoje”, afirma a empresária.

A história das trends também mostra que viralização não é garantia de permanência. Juliana cita como exemplo o pistache, que ganhou enorme destaque na gastronomia, mas cuja procura pode variar de acordo com a região. Para ela, cabe ao empreendedor entender o próprio público antes de transformar uma tendência em produto permanente.

No caso de Jaguariúna, ela observa que a procura por pistache não chegou ao mesmo patamar de outras regiões. Por isso, o ingrediente continua disponível, mas deixou de ser o protagonista do cardápio.

A lógica vale também para as tendências que surgem nas redes sociais: o que viraliza pode chamar a atenção para uma confeitaria, mas é a qualidade, a identidade e a capacidade de conquistar o cliente que podem fazer com que ele permaneça depois que a moda passa.

Seja trazendo aconchego nos dias mais frios ou refrescância para os dias quentes, uma coisa ficou clara: as sobremesas com morango conquistaram de vez seu espaço. Depois do sucesso do morango do amor em 2025, o morango cravejado mostra, em 2026, que a fruta continua encontrando novas formas de conquistar o público.

E você, já experimentou o morango cravejado ou alguma das outras receitas que conquistaram as redes?

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