12/09/2026

Do Velho Jaguary ao nascimento de Jaguariúna: 72 anos de emancipação

No aniversário, Jaguariúna revisita os caminhos que transformaram a antiga Vila Bueno no município que conhecemos hoje

Foto: Casa da memória

Ana Clara Diogo

Hoje se comemora o aniversário de 72 anos de Jaguariúna, mas qual a história do nascimento da cidade? Ou melhor, qual a história do velho Jaguary?

“Sabemos que aqui havia matas, jaguar e indígenas da cor do cobre e do bronze. Três rios, Jaguary, Atibaia e Camanducaia, abençoavam estas terras. Chegaram as expedições colonizadoras portuguesas. O colonizador europeu, o português, veio no século, a raça cor do ébano. Os brancos, os índios e os negros se miscigenaram. O negro escravizado empregou seu suor para cuidar da cana-de-açúcar, para procurar ouro, e depois, fez o cafezal florir e produzir.”

É assim que o historiador Tomaz de Aquino Pires apresenta, em Histórias e Memórias do Velho Jaguary, as primeiras páginas da história de uma terra que muito antes de se tornar município já era marcada pelos rios, pelas matas, pelo trabalho e pela mistura de povos.

A história da cidade começa a ganhar contornos mais definidos no século XIX. Após a morte de Cândido Bueno, em 1870, seu filho Amâncio Bueno voltou de Paris para cuidar das fazendas da família. Na Fazenda Florianópolis, encontrou prosperidade e idealizou um projeto que mudaria para sempre a paisagem local: a Vila Bueno.

Segundo Tomaz de Aquino, a iniciativa de Amâncio tinha uma visão de futuro. Em 1894, foram construídos os primeiros 11 casarões. Era o início do núcleo urbano que daria origem a Jaguariúna. Em 5 de agosto de 1896, a história registra o marco de formação da Vila Bueno.

O pequeno povoado cresceu, mas ainda levaria quase 60 anos para conquistar sua autonomia.

A Fazenda Florianópolis, ligada ao nascimento da cidade, voltaria a ser cenário de um momento decisivo. Em 6 de dezembro de 1952, aconteceu ali a primeira reunião pela emancipação política do Distrito de Paz de Jaguariúna. Tomaz de Aquino registra que o encontro tinha como objetivo “auscultar o povo” e reuniu moradores da área urbana e rural e representantes políticos.

A partir dali, começou uma mobilização que ganharia as ruas e os documentos oficiais. Em março de 1953, o antigo Cine Odeon recebeu uma coleta de assinaturas favoráveis à emancipação. No mês seguinte, a Comissão Pró-Emancipação encaminhou à Câmara Municipal de Mogi Mirim um Memorial de 14 páginas, que posteriormente chegou à Assembleia Legislativa de São Paulo.

Havia também resistência. O vereador por Jaguariúna na Câmara de Mogi Mirim, Lindolfo Dotta, manifestou-se contrário à independência política do distrito. Ainda assim, o movimento avançou.

Em novembro de 1953, veio o plebiscito. Dos 212 eleitores que votaram em Jaguariúna, 197 disseram SIM, 13 disseram NÃO e dois votaram em branco.

A manchete de A Comarca resumiu o resultado: “Posse e Jaguariúna serão municípios”.

Pouco mais de um ano depois, em 30 de dezembro de 1954, a Lei nº 2.456 criou oficialmente o Município de Jaguariúna. A lei foi assinada pelo governador Lucas Nogueira Garcez.

Em 1º de janeiro de 1955, Joaquim Pires Sobrinho tomou posse como o primeiro prefeito. Jaguariúna começava, então, sua história como município.

Mas a história não começava ali.

Como mostra Tomaz de Aquino Pires, o município era resultado de uma trajetória muito mais antiga: das matas e dos rios à ocupação do território; das antigas fazendas ao café; da Fazenda Florianópolis à Vila Bueno; e, finalmente, da mobilização de uma comunidade que decidiu conquistar sua autonomia.

Neste setembro, Jaguariúna celebra 130 anos de história e 72 anos como município.

São duas datas que contam capítulos diferentes de uma mesma trajetória: a de uma vila que nasceu com a visão de futuro de Amâncio Bueno e de uma comunidade que, décadas depois, conquistou o direito de escrever sua própria história.

 

Fonte histórica: Tomaz de Aquino Pires — Casa da Memória / Secretaria da Cultura.

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