ESPECIAL 71 ANOS – De Estação Ferroviária ao Centro Cultural: a história da Estação de Guedes
De ponto de escoamento do café no século XIX à casa da cultura jaguariunense, Estação de Guedes preserva a memória ferroviária e se reinventa como espaço de tradição e arte
Daniel Sabino

Foto: Acervo Casa da Memória
A primeira estação ferroviária da Companhia Mogiana de Guedes foi inaugurada em 1875, integrando a linha tronco Campinas–Jaguary–Mogi Mirim. Localizada dentro da Fazenda da Barra, propriedade do Capitão José Guedes de Souza, o Barão de Pirapitingui, a estação tinha como principal função o escoamento do café até Campinas. Dali, a produção seguia até Jundiaí pela Companhia Paulista e, em seguida, pela Santos-Jundiaí, até chegar ao porto para exportação.
Naquele mesmo ano, o Imperador Dom Pedro II passou pela estação de Guedes, quando esteve na região para inaugurar a Estação de Mogi Mirim, ocasião em que almoçou na residência do Capitão Guedes.
As primeiras estações de Jaguary e Guedes funcionaram até 15 de dezembro de 1945, quando foram inauguradas novas instalações em diferentes locais, devido às alterações do traçado da ferrovia. Da antiga estação, restou a Casa do Chefe, hoje preservada no Sítio São Sebastião, de propriedade de Sérgio Machado de Souza. A antiga plataforma coberta foi adaptada como depósito de equipamentos agrícolas e residência de caseiros.
A linha tronco sofreu diversas retificações ao longo do tempo. A Variante Guanabara–Guedes foi entregue entre 1926 e 1945, alterando o percurso original que, até então, passava próximo ao Rio Jaguari, pela atual Rua Capitão Ulisses Masotti, cortando propriedades como a Fazenda Florianópolis e a Fazenda Santa Francisca do Camanducaia.
As estações ferroviárias eram, naquela época, o grande centro de movimento social e econômico das cidades. Com poucas estradas disponíveis e muitos veículos ainda importados, os trens transportavam passageiros, cargas agrícolas, animais e mercadorias das indústrias e do comércio. Também espaço de convivência, onde a juventude se encontrava para o tradicional “footing”.
Em 1977, a estação foi desativada pela FEPASA, interrompendo o transporte de passageiros. O prédio de Guedes Nova resistiu ao tempo, mas acabou sendo abandonado e ocupado por sem-tetos, sofrendo forte degradação.
A reviravolta aconteceu em 2011, quando a Prefeitura de Jaguariúna, sob coordenação da arquiteta Rosana Tavares, então diretora do Departamento de Patrimônio Histórico, restaurou e revitalizou a estação. Em 23 de março de 2012, o espaço foi reinaugurado como Centro Cultural. Desde então, já recebeu a exposição itinerante da Casa da Memória Padre Gomes, apresentações do projeto “Café com Viola” da Orquestra Violeiros do Jaguary, entre outros eventos.
Hoje, a antiga estação ferroviária se prepara para escrever um novo capítulo de sua história: a instalação do Centro de Tradição Caipira, consolidando-se como um espaço de preservação da memória e da cultura jaguariunense.
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