Jaguariúna acompanha transformação mundial na forma de se relacionar
Crescimento do número de solteiros acompanha transformações sociais, econômicas e culturais que estão redefinindo os relacionamentos

Ana Clara Diogo
Neste sábado (15), é comemorado no Brasil o Dia do Solteiro. A celebração surgiu na China, onde é comemorada em 11 de novembro (11/11), em uma referência ao número 1, que representa uma pessoa sozinha. A data também chegou ao Brasil por volta de 2019, impulsionada por ações comerciais e campanhas de marketing de varejistas digitais, como o AliExpress, que adaptaram o conceito da festividade chinesa ao público nacional.
Mas, além de ser uma data curiosa e até engraçada, será que o número de pessoas solteiras está realmente aumentando?
No âmbito mundial, o tema tem ganhado espaço nas discussões sobre comportamento e relacionamentos. Em outubro de 2025, a revista Vogue publicou um artigo de opinião intitulado “Is Having a Boyfriend Embarrassing Now?” (“Ter um namorado é constrangedor hoje em dia?”). O texto discute mudanças no comportamento feminino e mostra como, para algumas mulheres, a expectativa de construir uma carreira e conquistar autonomia passou a ocupar o espaço antes associado à busca por um relacionamento. Nesse contexto, definir uma mulher principalmente pelo fato de ela estar ou não em um relacionamento pode ser visto como algo ultrapassado ou até constrangedor.
A perspectiva geral segue uma tendência semelhante e não se restringe a um único gênero. Segundo a revista VEJA, o número de pessoas solteiras vem crescendo em diferentes partes do mundo, impulsionado por mudanças sociais, econômicas e culturais que afetam homens e mulheres. O fenômeno reflete a busca por autonomia, novas prioridades de vida e também o impacto do ambiente digital na forma como as pessoas se relacionam.
No Brasil, os números também ajudam a ilustrar essa transformação. Segundo dados do IBGE, os solteiros representam 48,7% da população, um retrato que revela mudanças na maneira de construir relacionamentos, organizar a rotina e buscar a realização pessoal.
Mas, afinal, qual é a visão dos moradores de Jaguariúna sobre a solteirice?
Pensando nisso, o portal ON foi às ruas da cidade para entender como os moradores encaram a vida de solteiro, quais são suas opiniões sobre relacionamentos e se, para eles, estar solteiro é uma escolha, uma fase da vida ou simplesmente uma consequência das mudanças no comportamento da sociedade. E entre as entrevistas, duas chamaram a atenção.
Para Tamires Lima, um relacionamento precisa ser uma escolha consciente, construída a partir de sentimentos, respeito e reciprocidade. Como ela mesma afirma, “amar somente não é a base de um relacionamento”, pois é necessário haver “lealdade, reciprocidade, e acima de tudo respeito pelo outro e seu sentimento”. Sua experiência de sete anos também contribuiu para que ela entendesse seus próprios limites e percebesse que não deve aceitar menos do que merece. Por isso, sua decisão de permanecer solteira está diretamente ligada à sua liberdade e ao desejo de se priorizar, como demonstra ao dizer: “Prioridade essencial ‘Eu’ me amar, me cuidar, me permitir somente aquilo que mereço”. Dessa forma, Tamires não demonstra ter desistido do amor, mas aprendido a esperar por uma relação que realmente faça sentido para sua vida. Ela resume essa ideia ao afirmar: “enquanto eu não a acho, irei cuidar de algo que vale muito mais: ‘Eu’”, mostrando que, antes de dividir sua vida com alguém, escolhe construir a própria felicidade, seus objetivos e seus sonhos.
Para Lukas Araújo, o momento atual de sua vida é marcado principalmente pelos estudos e pelo trabalho, fatores que influenciam diretamente sua decisão de permanecer solteiro. Ele explica que atualmente “curso direito e trabalho, o que acaba fazendo com que tenha pouco tempo pra socializar”. Além disso, sua trajetória de mudanças constantes também dificultou a criação de vínculos, já que “sempre mudei muito de casa e escola, fazendo ser difícil criar conexão com as pessoas”. Lukas reconhece que, neste momento, precisa dedicar sua atenção às suas responsabilidades, afirmando: “preciso focar na faculdade e estudar bastante, sem contar meu serviço”. Para ele, não estar em um relacionamento proporciona a liberdade necessária para conciliar essas atividades, já que “não namorar me dá essa liberdade de focar nos estudos”. Sua fala demonstra que estar solteiro não significa necessariamente não querer se relacionar, mas compreender que sua rotina atual exige tempo, dedicação e prioridade, especialmente porque um relacionamento também envolve “dividir tempo e memórias com alguém” e ter “um senso de responsabilidade afetiva com aquela pessoa”. Assim, Lukas parece enxergar a solteirice como uma escolha adequada ao momento que está vivendo, permitindo que ele se dedique à faculdade, ao trabalho e à construção de seu futuro.
Nesse contexto, as entrevistas mostram que a escolha de permanecer solteiro muitas vezes não está relacionada à falta de interesse em relacionamentos, mas às prioridades e circunstâncias vividas por cada pessoa. No fim, revistas, estudos e experiências pessoais parecem apontar para uma mesma realidade: a urgência em construir uma carreira, investir nos estudos e alcançar objetivos profissionais pode fazer com que a vida social e os relacionamentos amorosos fiquem em segundo plano.
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