Jaguariúna reforça tradição sertaneja com trabalho de preservação da viola caipira
Maestro dos Violeiros do Jaguary Cristiano Scuciatto, destaca formação de orquestras, valorização do sertanejo raiz e aproximação com novas gerações

Ana Clara Diogo
No dia 3 de maio foi comemorado o Dia do Sertanejo. Jaguariúna, que se consolidou no fim de 2025 como capital country, tem uma ligação histórica com a cultura agro que não é recente. A cidade carrega há anos essa tradição, fortalecida por iniciativas locais como o grupo Violeiros do Jaguary. Em homenagem ao sertanejo raiz, entrevistamos Cristiano Scuciatto, o maestro do grupo.
Cristiano Scuciatto é professor, músico e maestro. Segundo ele, a relação com a música começou ainda na infância, na década de 1970, com forte influência da música sertaneja tradicional. Aos 10 anos, iniciou estudos formais de música em conservatório e, em 2009, passou a se dedicar de forma mais intensa à viola caipira, atuando como professor e desenvolvendo material didático próprio em um período em que havia poucos métodos disponíveis para o instrumento.
O trabalho o levou a atuar em diferentes escolas e projetos culturais da região, além de iniciativas em cidades como Cosmópolis, Artur Nogueira, Aguaí, Águas da Prata, Mogi Mirim e Mogi Guaçu, com a formação de diversas orquestras de viola caipira. Em reconhecimento à sua atuação, recebeu o título de cidadão aguaiano.
Na formação musical, Cristiano destaca a base em violão clássico e a influência de professores renomados, como Ana Maria Bedaque, referência internacional na área. Ele afirma que esse conhecimento foi essencial para o desenvolvimento de arranjos e métodos aplicados à viola caipira.
Sobre o sertanejo tradicional, ele ressalta que o estilo vai além da música, sendo uma expressão cultural marcada por duplas vocais, harmonias específicas e temáticas ligadas à vida no campo, família, amor e saudade. Entre os ritmos mais característicos estão moda de viola, cururu, catira, toada e pagode de viola.
O músico também destacou a importância da viola caipira como instrumento central do gênero, por sua facilidade de execução e afinação aberta, o que permite acordes completos com cordas soltas.
Em Jaguariúna, ele relembra o trabalho do maestro Antonio Fraga, responsável por projetar a orquestra local em nível estadual e nacional. Atualmente, à frente do grupo, afirma que o objetivo é retomar esse protagonismo, ampliando o repertório e fortalecendo formações de solo e naipes instrumentais.
Apesar da tradição, ele afirma que há renovação no público: “Tenho muitos adolescentes e jovens participando das aulas”, destacou.
Para Scuciatto, o trabalho das orquestras vai além da música e representa uma forma de resistência cultural. A Orquestra de Viola em nossa cultura é tipo de uma guardiã da cultura raiz, e por outro lado: “Se não houver diálogo com a nova geração, a tradição vira peça de museu”, afirmou.
Por fim, ele reforça a importância do sertanejo raiz como parte da identidade cultural brasileira e deixa uma mensagem às novas gerações: dedicação aos estudos musicais e ausência de preconceitos. “Não tenha nenhum tipo de preconceito, estude, estude e estude. Só existem dois tipos de música: a boa e a ruim”, concluiu, citando o músico Tião Carreiro.

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