Literatura ganha espaço em sala de aula e incentiva alunos de escola municipal de Jaguariúna
Professora de Língua Portuguesa utiliza leitura e escrita para estimular criatividade e revela trajetória de estudantes que chegaram à final do EPTV na Escola

Ana Clara Diogo
Mesmo em uma geração cada vez mais conectada às telas, a leitura e a escrita continuam encontrando espaço dentro da sala de aula em Jaguariúna. Na Escola Municipal Professora Orcalina Pires Turato, uma iniciativa desenvolvida com alunos do 9º ano utiliza a literatura como ferramenta de ensino e também como forma de estimular a criatividade dos estudantes.
O trabalho é conduzido pela professora de Língua Portuguesa Marilia Ferreira, que incorporou a literatura à metodologia utilizada com a turma. Embora não seja um componente obrigatório da grade curricular do Ensino Fundamental II, a leitura de obras literárias passou a fazer parte das atividades desenvolvidas em sala.
Para a professora, aproximar os estudantes dos livros em meio à rotina marcada pelo uso da tecnologia é um dos desafios do trabalho. A proposta, porém, vai além da leitura: busca fazer com que os alunos também encontrem na escrita uma maneira de expressar ideias, sentimentos e diferentes formas de enxergar o mundo.
Ao acompanhar o desenvolvimento da turma, Marilia também percebeu que alguns estudantes começaram a construir uma relação própria com as palavras. Entre eles está Raissa, que encontrou na escrita uma forma de colocar no papel pensamentos e sentimentos.
A estudante Ana também conta que sua relação com a escrita nem sempre foi simples. A experiência vivenciada dentro da escola, no entanto, contribuiu para que ela mudasse sua percepção e passasse a enxergar novas possibilidades por meio da produção de textos.
Já Daniel relata como sua relação com a escrita foi se transformando ao longo dos anos. O contato com a literatura e o incentivo recebido em sala contribuíram para que ele desenvolvesse uma nova perspectiva sobre o ato de escrever.
O incentivo à produção textual também ultrapassou os limites da escola. Os estudantes participaram do concurso EPTV na Escola e chegaram à final da competição, que reuniu trabalhos de mais de 60 escolas participantes. A produção desenvolvida pelo grupo ficou entre os cinco trabalhos finalistas.
O trabalho foi realizado coletivamente, o que trouxe aos estudantes outro desafio: reunir diferentes ideias e opiniões para construir uma única produção. Isabella, uma das participantes, conta como foi o processo de criação e a experiência de desenvolver o projeto em conjunto com os colegas.
A conquista teve ainda um significado especial por representar uma escola da zona rural entre os destaques da competição. Para Giovana, chegar à final representou o reconhecimento do trabalho desenvolvido pelos alunos e pela escola.
Mais do que uma classificação em um concurso, a experiência mostra como o contato com a literatura pode contribuir para que estudantes desenvolvam criatividade, capacidade de expressão e confiança na própria escrita.
Para a professora Marilia, acompanhar o crescimento dos alunos e vê-los alcançar resultados que talvez parecessem distantes também representa uma forma de reconhecimento pelo trabalho realizado em sala de aula.
A trajetória dos estudantes reforça que, mesmo diante do avanço da tecnologia e da presença constante das telas no cotidiano dos jovens, os livros e a escrita ainda podem encontrar espaço e despertar novas possibilidades dentro da escola.
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