31/05/2026

Maio Laranja: especialista alerta para sinais e reforça importância da prevenção

Josiane Andreghetti reforça a importância do diálogo, da prevenção e da atenção aos sinais de violência contra crianças e adolescentes

Ana Clara Diogo

O mês de maio marca a campanha Maio Laranja, movimento nacional de conscientização e combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. Em entrevista, a psicóloga infantojuvenil Josiane Andreghetti chamou atenção para a necessidade de ampliar o diálogo sobre prevenção e acolhimento, destacando que os casos de violência continuam acontecendo, frequentemente em ambientes onde a criança deveria estar protegida.

Josiane é psicóloga infantojuvenil, terapeuta cognitiva comportamental, neuropsicóloga pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e mestre em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Segundo a especialista, falar sobre o tema é uma forma de proteção. “Quando a gente ensina as crianças sobre o próprio corpo, sobre limites e sobre o que pode ou não pode, elas conseguem perceber quando há algo errado e, consequentemente, pedir ajuda”, explicou.

A profissional ressaltou que crianças pequenas nem sempre conseguem compreender uma situação de abuso da mesma forma que um adulto. Por ainda estarem em desenvolvimento emocional e cognitivo, elas podem apenas sentir medo, desconforto ou estranheza, sem entender que estão sofrendo violência. Em alguns casos, principalmente quando o agressor é alguém próximo da família, a criança pode interpretar a situação como demonstração de afeto ou brincadeira.

A entrevista também destacou a importância da educação preventiva desde os primeiros anos de vida. De acordo com a psicóloga, ensinar sobre partes do corpo, intimidade e limites deve acontecer de maneira adequada para cada faixa etária.

“Isso não é sexualização infantil. É prevenção”, afirmou.

Entre os principais sinais de alerta, ela citou mudanças bruscas de comportamento, isolamento social, agressividade, dificuldades escolares, alterações no sono e na alimentação, além de regressões comportamentais, como voltar a fazer xixi na cama. Em alguns casos, a criança também pode apresentar comportamentos sexualizados ou expressar conteúdos de conotação sexual em desenhos e brincadeiras.

A especialista explicou ainda que os impactos psicológicos podem acompanhar a vítima por muitos anos. Ansiedade, depressão, transtorno de estresse pós-traumático, dificuldades de relacionamento e problemas de confiança podem surgir tanto na infância quanto na vida adulta.

Sobre o acolhimento, a orientação é clara: ouvir sem julgamentos, não desacreditar do relato da criança e buscar ajuda especializada imediatamente.

“A criança precisa encontrar um ambiente seguro para falar e ser acolhida”, destacou.

O processo terapêutico, segundo ela, deve acontecer de forma gradual, respeitando o tempo da vítima. O trabalho envolve criação de vínculo, escuta ativa e acompanhamento também dos pais ou responsáveis.

Ao final, Josiane Andreghetti reforçou que o principal caminho para a prevenção é o diálogo dentro de casa.

“O perigoso é o tabu sobre sexualidade infantil. A prevenção acontece quando a criança aprende sobre limites, confiança e sabe que pode pedir ajuda”, concluiu.

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