09/09/2026

Médica veterinária destaca importância da prevenção e da longevidade animal

No Dia do Médico Veterinário, a Dra. Joyce Magalhães defende que o acompanhamento contínuo dos pets deve ser visto como um “filme” e não apenas como uma fotografia

Ana Clara Diogo 

Nesta quarta-feira (9), é celebrado o Dia do Médico-Veterinário, data que destaca uma profissão que vai além do atendimento clínico de animais e também atua em áreas como saúde pública, produção animal, vigilância sanitária, agronegócio e meio ambiente.

Para a médica veterinária Dra. Joyce Magalhães, que atua com medicina preventiva, casos complexos e longevidade animal, um dos principais desafios da profissão é mudar a percepção de que o veterinário deve ser procurado apenas quando o animal está doente.

“Eu sou profissional da saúde e não da doença. Quando eu fiz a graduação, eu aprendi muito a tratar a doença e isso me incomodou”, afirma.

Segundo Joyce, a medicina preventiva vai além da vacinação e da vermifugação. O acompanhamento periódico permite identificar alterações sutis e agir antes que os problemas se agravem. Ela compara uma consulta isolada a uma “fotografia”, enquanto o acompanhamento ao longo dos anos seria como assistir a um “filme”.

A veterinária também destaca o aumento da expectativa de vida de cães e gatos, resultado dos avanços da Medicina Veterinária. Com animais vivendo mais, surgem novos desafios relacionados ao envelhecimento e à qualidade de vida.

“Um animal que vive 20 anos é um organismo totalmente diferente de um animal que vivia sete anos, 30 anos atrás”, explica.

Para Joyce, os animais também passaram a ocupar um espaço cada vez mais importante nas famílias, reforçando a necessidade de cuidados durante todas as fases da vida. “Eu acho que a gente não cuida da saúde, a gente acolhe e acompanha uma vida”, afirma.

Ela compara as consultas preventivas à revisão de um carro: mesmo sem problemas aparentes, a manutenção ajuda a evitar falhas futuras. “Se a gente vem fazendo as revisões sem esperar o problema acontecer, percebe como a gente muda o destino desse animal?”, questiona.

Valorização profissional

Joyce também defende maior valorização do médico-veterinário. Segundo ela, ainda existe a ideia equivocada de que profissionais da área devem oferecer atendimentos gratuitos. A formação, os equipamentos, a atualização profissional e a estrutura de atendimento envolvem custos que precisam ser reconhecidos.

“Isso encarece a medicina veterinária, mas não desvaloriza o médico veterinário”, afirma.

Tecnologia como aliada

Sobre o uso da inteligência artificial, Joyce considera ferramentas como o ChatGPT úteis para organizar informações e históricos de pacientes, especialmente em casos complexos. No entanto, ressalta que a tecnologia não substitui a avaliação profissional.

“Ele me economiza um tempo de ficar olhando papel e comparando, mas ele não me dá uma resposta, ele não me dá um diagnóstico”, explica.

Para a veterinária, cada animal deve ser analisado de forma individual, considerando seu contexto e sua família.

Aos jovens que pretendem seguir carreira na área, Joyce destaca que gostar de animais é apenas o começo. É necessário buscar conhecimento, desenvolver raciocínio clínico e compreender a responsabilidade de trabalhar com vidas.

“O melhor presente que você pode ter é ter uma profissão que brilha os seus olhos”, conclui.

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