PM alerta para sinais de violência doméstica e orienta vítimas a buscar ajuda
Comandante da 3ª Companhia do 19º BPM/I destaca importância da denúncia e explica como vítimas podem acionar a rede de proteção

Redação
A violência doméstica não deve ser tratada como uma simples “briga de casal”. O alerta é feito pelo capitão PM André Luiz Barbosa de Menezes, comandante da 3ª Companhia do 19º Batalhão de Polícia Militar do Interior (19º BPM/I), que orienta mulheres vítimas ou testemunhas de agressões a procurar ajuda e acionar os mecanismos de proteção previstos na legislação.
Segundo o comandante, a violência doméstica pode assumir diferentes formas e não se limita às agressões físicas. A Lei Maria da Penha reconhece como violência situações de agressão física, violência psicológica, sexual, patrimonial e moral.
Entre os sinais que podem indicar uma situação de risco estão ameaças, humilhações, controle excessivo, ciúmes, isolamento da vítima de familiares e amigos, destruição de objetos, controle financeiro e impedimentos para trabalhar, estudar ou sair de casa.
O capitão também chama atenção para o chamado ciclo da violência, que pode começar com o aumento das tensões, evoluir para um episódio de agressão e ser seguido por pedidos de desculpas e promessas de mudança. O padrão pode se repetir e se tornar progressivamente mais grave.
A preocupação ganha ainda mais relevância diante de casos recentes registrados na região atendida pela 3ª Companhia.
Em Cosmópolis, na madrugada de 6 de outubro, uma mulher de 25 anos foi morta a golpes de faca pelo companheiro. O caso é investigado como feminicídio. Três crianças que estavam na residência foram encaminhadas para atendimento do Conselho Tutelar.
Em Artur Nogueira, uma mulher de 35 anos foi encontrada morta em setembro, com sinais de violência e marcas de tiros. Segundo as informações citadas pelo comandante, a vítima possuía medida protetiva contra o ex-companheiro e havia registrado ocorrência relatando ameaças. O caso também é investigado como feminicídio.
Para o comandante, os episódios reforçam a necessidade de interromper situações de violência antes que elas evoluam para agressões mais graves.
Em situações de emergência, a orientação é ligar para o 190, número da Polícia Militar que funciona 24 horas.
Durante o atendimento, os policiais podem garantir a segurança da vítima e dos filhos, registrar a ocorrência, orientar sobre os direitos e adotar as medidas necessárias diante da situação.
A vítima também pode ser orientada sobre a Patrulha Maria da Penha, serviço voltado ao acompanhamento de casos de violência doméstica e ao cumprimento de medidas protetivas.
A medida protetiva de urgência pode determinar, entre outras providências, o afastamento do agressor do lar, a proibição de aproximação e o impedimento de contato com a vítima e seus familiares.
O pedido pode ser feito pela própria vítima pelos canais previstos na legislação, incluindo delegacias, Ministério Público e Defensoria Pública.
O comandante reforça que o descumprimento de uma medida protetiva pode configurar crime e deve ser comunicado imediatamente às autoridades.
Além do atendimento emergencial pelo 190, mulheres que precisam de orientação podem procurar uma Delegacia de Defesa da Mulher ou outra delegacia. Também está disponível o Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher, que funciona gratuitamente.
“Denunciar não é trair, é proteger você e seus filhos”, destaca o comandante.
A orientação da Polícia Militar é que vítimas não enfrentem sozinhas situações de violência ou ameaça. O acionamento precoce da rede de proteção pode ser fundamental para interromper o ciclo de violência e evitar consequências mais graves.
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