08/08/2026

Semana Mundial da Amamentação reforça importância do aleitamento para mãe e bebê

Ginecologista e obstetra Gabriela Pereira destaca os benefícios do leite materno, esclarece as principais dificuldades enfrentadas pelas mães e reforça a importância da rede de apoio durante o período de amamentação

Ana Clara Diogo

Celebrada na primeira semana de agosto, a Semana Mundial da Amamentação chama a atenção para a importância do aleitamento materno e da criação de políticas e ações de incentivo à prática. Mais do que um ato de alimentação, amamentar representa um dos principais cuidados com a saúde e o desenvolvimento do bebê, além de trazer benefícios duradouros para a mãe.

Em entrevista, a ginecologista e obstetra Dra. Gabriela Pereira explica que o leite materno é um alimento completo e suficiente para atender todas as necessidades nutricionais do bebê nos seis primeiros meses de vida.

“O leite materno contém todos os nutrientes necessários para o desenvolvimento da criança, além de anticorpos e outras substâncias que fortalecem o sistema imunológico. É um alimento produzido de acordo com as necessidades de cada bebê, ajudando a protegê-lo contra infecções”, explica.

Segundo a médica, estudos também associam a amamentação ao melhor desenvolvimento neurológico e cognitivo da criança, além da redução do risco de obesidade, diabetes e hipertensão ao longo da vida.

Outro aspecto importante é o fortalecimento do vínculo afetivo entre mãe e filho. O contato pele a pele e a amamentação, iniciados ainda na primeira hora de vida, favorecem o desenvolvimento emocional da criança e estreitam a conexão entre ambos.

Benefícios também para a mãe

Embora muitas mulheres associem a amamentação à perda de peso no pós-parto, os benefícios vão muito além da estética.

De acordo com a Dra. Gabriela, durante a amamentação ocorre a liberação de ocitocina, hormônio responsável por estimular a contração do útero, favorecendo seu retorno ao tamanho normal e reduzindo o risco de hemorragias no pós-parto.

Além disso, mulheres que amamentam apresentam menor risco de desenvolver câncer de mama e de ovário, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.

A especialista ressalta ainda que o fortalecimento do vínculo emocional também beneficia a saúde mental da mãe, mas destaca que o período pode ser desafiador.

“Oferecer acolhimento, orientação e apoio à mulher é essencial para que ela tenha uma experiência de amamentação mais tranquila e bem-sucedida.”

Desafios podem ser superados com orientação

Apesar dos inúmeros benefícios, a fase inicial da amamentação costuma ser marcada por dificuldades.

Segundo a médica, até que o bebê consiga realizar uma pega adequada, é comum surgirem fissuras e rachaduras nos mamilos, além do desconforto provocado pela descida do leite.

Essas dificuldades se somam a outros desafios típicos do puerpério, como o cansaço extremo, a privação de sono, as alterações hormonais e a pressão social.

“Na maioria das vezes, essas dificuldades podem ser superadas com informação, orientação adequada e acompanhamento de profissionais capacitados”, afirma.

Ela destaca que atualmente existem recursos como consultorias em amamentação e laserterapia para o tratamento de fissuras, quando indicada, tornando o processo mais confortável para mãe e bebê.

Recomendação da OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade. Após esse período, a amamentação deve ser mantida de forma complementar à introdução alimentar até, pelo menos, os dois anos de idade.

Rede de apoio faz toda a diferença

Para a ginecologista, a preparação para a amamentação deve começar ainda durante a gestação, com orientação durante o pré-natal e acesso a informações baseadas em evidências.

Ela reforça que o sucesso da amamentação não depende apenas da mãe.

“Embora apenas a mãe possa oferecer o leite, o parceiro e toda a rede de apoio desempenham papel fundamental nos cuidados com o bebê, nas tarefas da casa e no suporte emocional durante esse período de adaptação.”

A médica orienta que, diante de dor intensa, fissuras, dificuldades na pega ou dúvidas sobre a produção de leite, a mulher procure ajuda especializada o mais cedo possível.

“Mais do que incentivar a amamentação, precisamos acolher cada mãe, oferecer orientação sem julgamentos e garantir que ela tenha o apoio necessário para viver essa experiência da melhor forma possível”, conclui.

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