20/05/2026

Tombamento da Fazenda Serrinha é aprovado e marca preservação histórica em Jaguariúna

Presidente do Conphaaj destaca valor arquitetônico, ligação com a origem da cidade e importância do patrimônio para futuras gerações

Ana Clara Diogo 

Nesta quarta-feira (20), o Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico de Jaguariúna (Conphaaj) aprovou por unanimidade o processo de tombamento da Fazenda Florianópolis, conhecida como Fazenda Serrinha. A medida fortalece a preservação de um dos patrimônios históricos mais importantes do município e abre caminho para futuras ações de conservação, restauração e valorização cultural do espaço.

Para entender a importância da decisão, o portal on conversou com o presidente do Conphaaj, Paulo Fraga, que destacou a relação direta da fazenda com a origem da cidade.

“A fazenda está ligada à origem de Jaguariúna. Ela pertenceu à família Bueno, ligada aos fundadores da cidade, e se conecta ao surgimento da vila e da chegada da ferrovia”, afirmou.

Construída em 1870, durante o ciclo cafeeiro, a Fazenda Florianópolis possui características arquitetônicas preservadas da época, como paredes de taipa de mão, estrutura em madeira, fundação com pedras e tijolos de barro e telhas do tipo capa e canal.

“Arquitetonicamente e historicamente ela tem um valor muito grande. São técnicas construtivas antigas que ajudam a contar a história da cidade e da época do café”, explicou Paulo Fraga.

Segundo o presidente do conselho, o processo de preservação ganhou força após o avanço do estado de deterioração do imóvel. Inicialmente, o local foi inventariado pelo município e, posteriormente, avançou para o tombamento definitivo.

“O conselho surgiu em 2009, mas foi na atual gestão que conseguimos realizar o inventário da fazenda e dar andamento ao tombamento. Esse é o primeiro processo de tombamento conduzido pelo conselho nessa gestão, então ele se tornou um marco”, disse.

Paulo Fraga também destacou que a aprovação unânime demonstra alinhamento entre os integrantes do conselho e apoio das instituições envolvidas.

“Tivemos apoio da Secretaria de Cultura, da Secretaria Jurídica, da Casa da Memória e também do proprietário da fazenda, que colaborou com toda a documentação necessária”, ressaltou.

O próximo passo será a oficialização do decreto de tombamento e o avanço dos trâmites jurídicos. A expectativa é que, futuramente, o espaço possa receber projetos de restauração e novos usos culturais e turísticos.

“O patrimônio preservado também pode gerar retorno econômico e turístico para o município. Não é apenas conservar, mas dar um novo uso para que a população possa ocupar e vivenciar esse espaço”, afirmou.

De acordo com Paulo Fraga, o tombamento da Fazenda Serrinha também abre caminho para novos processos de preservação histórica em Jaguariúna.

“Queremos fomentar o turismo, a memória e a preservação histórica da cidade. Esse foi um aprendizado importante e um primeiro passo para outros tombamentos no município”, concluiu.

Ao falar sobre o legado do processo, Paulo Fraga destacou que a principal conquista foi unir diferentes setores em torno da preservação histórica da cidade. Segundo ele, o trabalho envolveu diálogo entre conselho, poder público, técnicos e proprietários para garantir que o tombamento avançasse de forma coletiva.

“O meu legado pessoal é conseguir unir todas as partes envolvidas. Houve um trabalho muito grande para fazer acontecer, dialogar e evitar que o processo travasse. A preservação do patrimônio precisa desse entendimento coletivo”, afirmou.

Para o presidente do Conphaaj, o tombamento da Fazenda Serrinha representa não apenas a proteção de um imóvel histórico, mas também o início de uma nova fase para a valorização da memória e da identidade cultural de Jaguariúna.

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