28/05/2026

Paulínia é alvo de operação contra esquema bilionário de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis

Ação da Operação Fluxo Oculto reuniu Receita Federal, Gaeco, ANP, Sefaz-SP, Polícias Civil e Militar e outros órgãos de fiscalização

A cidade de Paulínia voltou ao centro das investigações sobre crimes no setor de combustíveis após ser incluída entre os municípios alvo da Operação Fluxo Oculto, deflagrada nesta quinta-feira, 28 de maio, pela Receita Federal em parceria com diversos órgãos estaduais e federais. A ação é considerada uma das maiores já realizadas no País no combate ao crime organizado ligado ao mercado de combustíveis.

A operação é a segunda fase da Operação Carbono Oculto e tem como objetivo aprofundar as investigações sobre esquemas de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, adulteração de combustíveis e uso de fintechs para ocultação de recursos ilícitos.

Em Paulínia, cidade que abriga um dos principais polos petroquímicos do Brasil e possui forte ligação com o setor de combustíveis, mandados de busca e apreensão foram cumpridos como parte da ofensiva que se estende por cinco estados brasileiros.

Ao todo, estão sendo executados 59 mandados em cidades de São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro. Participam da operação cerca de 135 auditores-fiscais, analistas-tributários e servidores da Receita Federal, além de integrantes do Ministério Público, Polícia Civil, Polícia Militar, Agência Nacional do Petróleo (ANP), Secretaria da Fazenda do Estado e outros órgãos de fiscalização.

Segundo as investigações, organizações criminosas utilizavam fintechs como “bancos paralelos” para movimentar recursos ilícitos, dificultando o rastreamento do dinheiro. As seis instituições investigadas movimentaram mais de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025.

A Receita Federal também identificou depósitos bilionários em espécie, movimentações suspeitas com criptoativos e operações financeiras destinadas à blindagem patrimonial e ocultação dos reais beneficiários do esquema.

Outro foco da operação envolve a adulteração de combustíveis com uso de nafta petroquímica. Conforme apontam as investigações, empresas de fachada simulavam operações industriais para adquirir o produto com vantagens tributárias e posteriormente desviavam a substância para mistura irregular em combustíveis automotivos.

Somente esse esquema teria causado prejuízo estimado em R$ 200 milhões em tributos supostamente sonegados em dois anos.

Os recursos obtidos ilegalmente eram direcionados para fundos de investimentos utilizados para ocultar os ganhos do grupo criminoso. Quatro fundos investigados possuem patrimônio estimado em cerca de R$ 205 milhões, com crescimento superior a 200% em pouco mais de um ano.

As autoridades afirmam que a nova fase da operação busca ampliar a identificação de envolvidos, reunir novas provas e desarticular financeiramente a organização criminosa.

Foto GOV

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