09/09/2026

Após feminicídio, vereadora faz apelo contra a violência doméstica em Artur Nogueira

Cris da Saúde pediu atenção aos sinais de violência e reforçou a importância das denúncias

Da redação

A vereadora Cris da Saúde (PL) fez um discurso de combate à violência contra a mulher durante a sessão da Câmara de Artur Nogueira, realizada nesta terça-feira (8). A manifestação ocorreu na mesma semana em que o município registrou a morte de Talita Ramos, que, segundo as informações apresentadas, teria sido vítima do próprio ex-companheiro.

Durante a fala, Cris afirmou que a violência contra a mulher não deve ser tratada como um problema isolado e defendeu maior atenção aos casos de agressão, ameaças e pedidos de ajuda.

“É uma revolta muito grande, mas, como mulher, a gente tem que se impor com algumas atitudes. Ocupo essa cadeira como vereadora, mas, acima de tudo, como mulher, para manifestar o meu mais profundo repúdio e minha enorme preocupação diante dos casos de violência doméstica registrados nas últimas semanas na nossa cidade”, declarou.

A vereadora também destacou a necessidade de combater a naturalização da violência doméstica e afirmou que situações de agressão devem ser tratadas como uma questão de segurança pública e de proteção aos direitos das mulheres.

“Não podemos tratar esse acontecimento como episódios isolados. Não podemos permitir que a violência contra a mulher seja naturalizada, silenciada ou encarada como um problema comum”, afirmou.

Cris também abordou os casos de feminicídio e citou dados nacionais do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Segundo o levantamento mencionado por ela, o Brasil registrou 1.571 feminicídios em 2025.

“Precisamos também falar de uma realidade ainda mais cruel, o feminicídio. Os números nacionais são alarmantes. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2025 o Brasil registrou 1.571 feminicídios, o maior desde que esse tipo de crime passou a ser contabilizado dessa forma”, disse.

Segundo a vereadora, antes de episódios mais graves podem ocorrer sinais como ameaças, humilhações, controle, ciúmes excessivo, perseguição e agressões. Ela defendeu que esses sinais sejam levados a sério e que pedidos de ajuda recebam atenção.

“Denunciar pode salvar vidas. Não tenham vergonha de pedir ajuda. A culpa nunca é da vítima. Não é culpa da mulher que foi agredida, da que foi ameaçada, que sofreu violência. A responsabilidade é de quem agride”, afirmou.

A parlamentar também pediu que a população não seja omissa diante de situações de violência. Ela orientou que casos de emergência sejam comunicados à Polícia Militar pelo telefone 190 e citou o Ligue 180, serviço do governo federal voltado ao atendimento e encaminhamento de denúncias de violência contra a mulher.

“Se você sabe de alguma mulher que está sendo agredida, não feche os olhos. Se você escuta gritos e ameaças vindo de uma casa vizinha, não pense que é briga de marido e mulher. A Polícia Militar deve ser acionada pelo telefone 190. O governo federal também disponibiliza o Ligue 180, serviço gratuito 24 horas que orienta, acolhe, registra e encaminha denúncias de violência contra a mulher”, declarou.

Ao final, Cris reafirmou o compromisso com o fortalecimento das políticas públicas de proteção às mulheres em Artur Nogueira e fez um apelo à população para que situações de violência não sejam ignoradas.

“Uma denúncia pode interromper um ciclo de violência, uma intervenção pode impedir uma agressão e uma atitude pode significar a diferença entre a vida e a morte. Como representante dessa população, quero reafirmar meu compromisso com o fortalecimento das políticas públicas de proteção às mulheres em Artur Nogueira. Precisamos trabalhar para que nenhuma mulher se sinta sozinha diante de um agressor.”

“Vocês não estão sozinhas. Vocês têm voz, vocês têm direito, merecem proteção, respeito e uma vida livre de violência. E à sociedade faço um último apelo: não seja omissa, indiferente, não vire o rosto.”

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