Dermatologista Patrícia Teresani dá dicas para uso correto do protetor solar
Quantidade abaixo do ideal, má aplicação e desconhecimento podem diminuir a eficácia do produto; menos de 60% dos brasileiros utilizam filtro solar com frequência

Imagem: reprodução/Canva
Se tem um produto que não sai da boca dos dermatologistas é o protetor solar. Ele pode até não ser o mais “popular” ou “legal” de se ter no nécessaire; afinal, tem função bastante pragmática: proteger, e não “melhorar tal problema de pele, remover tal incômodo, atenuar tal linha de expressão…”. Mais do que isso, proteger contra algo que está conosco todos os dias: o Sol. Seu uso pode parecer um trabalho sem fim.
Mas já está claro que ele é indispensável. Segundo o Skin Cancer Foundation, dois estudos australianos mostraram que o melanoma foi reduzido em 50%, e o carcinoma de células escamosas, em 40%, nas pessoas que adotaram o uso do protetor solar em suas rotinas.
Estudos recentes apontam que a necessidade de proteção contra a radiação solar não é a mesma sempre, e vem aumentando. De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a cada 1% de diminuição da camada de ozônio, 50 mil novos casos de câncer de pele são registrados. A camada de ozônio é uma formação de gás ao redor do planeta Terra responsável pela proteção contra os efeitos nocivos dos raios ultravioleta emitidos pelo sol (UV-A e UV-B).
No entanto, apenas a consciência da importância do produto não parece ser suficiente para que ele tenha presença consolidada nos lares do Brasil. Uma pesquisa do Instituto de Cosmetologia de Campinas (SP) apontou que, no ano de 2024, 65,5% dos brasileiros declararam não utilizar filtro solar diariamente.
Segundo a dermatologista Patrícia Teresani, o filtro solar é cercado de equívocos sobre sua função, aplicação e resultados, e já se adianta para desmentir alguns deles: “protetor solar não bloqueia 100%, nem perto disso. Não é um escudo total, e, na vida real, você nunca aplica a quantidade ideal, então ele vai dar uma proteção muito menor do que vem escrito no rótulo”, lista.
Nada disso, porém, é desculpa para que ele seja deixado de lado. Para evitar possíveis gafes no uso do produto, Teresani explica alguns pontos. No caso da aplicação facial, por exemplo, existe uma regra que determina a quantidade de filtro a ser utilizado. “O maior erro não é tanto escolher um protetor [de fator] mais baixo, é não aplicar a quantidade certa de protetor”, detalha.
A chamada “Regra dos 3 dedos” funciona assim: espalha-se linhas de filtro solar em três dedos (geralmente indicador, médio e anelar) e utiliza-se aquela quantidade de produto no rosto. “A maioria das pessoas usa um terço ou menos da quantidade necessária de filtro. Então, aquele filtro que você achava que tinha trinta [FPS, o Fator de Proteção Solar] cai muito”, exemplifica a médica.
Outro gargalo que impede que a proteção funcione corretamente é a necessidade de reaplicação. Teresani explica que, apesar de uma reaplicação ideal ocorrer a cada duas horas, “na vida real, quase ninguém consegue fazer isso”, reconhece. “Então, o que funciona bem é você aplicar de manhã, reaplicar na hora do almoço, e, à tarde, se você se expuser muito [ao sol], reaplica mais uma vez”, orienta.
A profissional ainda faz uma diferenciação entre os tipos de radiação solar das quais precisamos nos proteger. De acordo com ela, não é só o raio UV-B (Raio Ultravioleta B), metrificado pelo FPS, que importa. O próprio UV-A (Raio Ultravioleta) tem uma medida própria, o PPD (traduzindo do inglês: escurecimento persistente do pigmento), e é o responsável pelo envelhecimento, surgimento de manchas e até de cânceres de pele, como o melanoma, por exemplo.
“Você pode estar tomando sol sem se queimar, e, ainda assim, estar acumulando um dano [causado] pelo do sol. O UV-A está presente durante o dia inteiro”, explica, dizendo ainda que a radiação UV-A é capaz de atravessar nuvens mesmo em dias nublados e até os vidros insufilmados de carros.
“O PPD, que é o número que ninguém olha, mede a proteção contra o UV-A, e o ideal é que ele seja um terço, pelo menos, do valor do FPS. Então, um filtro com FPS 60 tem que ter um PPD de 20 para ser de boa qualidade”, sistematiza.
Portanto, apenas passar o protetor solar sobre a pele não é bem o suficiente para que se possa estar tranquilo quanto ao efeito do produto. É preciso observar detalhes como a quantidade de filtro, sua fatoração, e até seu formato. De todo modo, uma coisa é certa: a longo prazo, o esforço vale a pena.
A Dra. Patrícia Teresani atende na Clínica Essence, que está localizada na Rua São Sebastião, 405, esquina com a Sete de Setembro. Para agendar uma consulta, entre em contato com o número (19) 99824-9651.
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