04/08/2025

Morango do Amor: febre nas redes e aumento de vendas para empreendedoras de Artur Nogueira

Profissionais souberam aproveitar a febre do momento e encararam o desafio de atender as demandas que explodiram

Wagner Luan 

Além de viralizar nas redes sociais com vídeos engraçados e estéticos, o morango do amor impactou em um aumento na renda de empreendedoras do ramo de doces em Artur Nogueira, que viram no doce viral uma excelente oportunidade para impulsionar suas vendas.

Para entender um pouco mais sobre essa febre, o Portal ON conversou com três confeiteiras nogueirenses que, com muito amor, trabalho duro e, principalmente, técnica, têm enfrentado o desafio de atender uma demanda que só cresce.

Brenda tem uma doceria e viveu uma loucura com os pedidos

A loucura do doce que viralizou

Brenda Oliveira Ferreira, 27 anos, moradora do bairro Bevenutto, já trabalha com doces há algum tempo e tem vivido dias intensos desde que a febre do morango do amor tomou conta da cidade. Segundo ela, apesar de parecer simples, o doce exige cuidados na preparação da fruta, da calda e na técnica de montagem.

Apaixonada por confeitaria desde os 14 anos, Brenda afirma que a paixão vem de berço. “Herdei esse amor da minha mãe, que também é confeiteira e minha grande inspiração até hoje”, relata. Atualmente, ela concilia a produção de doces com a rotina como professora de educação infantil e ainda ajuda o marido no salão da família.

Brenda sempre trabalhou com morangos: “Eu sempre fiz doces com morangos — morango do nordeste, brigadeiro belga com morango, coxinha de ninho com morango”, afirma.

Segundo ela, sua interação com o morango do amor começou antes mesmo da tendência estourar na cidade. “Até onde eu sei, nós, da Adocica [sua doceria], fomos os primeiros por aqui. Foi no início de junho, com as festas juninas. Minha prima insistiu tanto para que eu fizesse que acabei cedendo. Postei nas redes sociais e, a partir daí, os pedidos começaram a chegar.”

Com a viralização do doce, as vendas explodiram. “Comecei fazendo 20 por dia, depois 40, 60, 70, 100… e não dava conta. Quanto mais eu fazia, mais pedidos apareciam”, lembra.

A empreendedora chegou ao ponto de não conseguir atender sozinha. “Teve um dia que fiquei tão nervosa que precisei ligar para amigos e familiares pedindo ajuda. Eu fazia tudo: produzia, atendia e entregava”, conta. A situação levou Brenda a investir na estrutura do negócio, contratando um motoboy e adotando um sistema automatizado de pedidos.

Apesar do sucesso, os desafios foram muitos. A alta demanda exigiu não apenas tempo e dedicação, mas técnica apurada. “É um doce que parece simples, mas qualquer erro desanda. Morango do amor é técnica, precisa de atenção, cuidado e, principalmente, amor. Quando a gente ama o que faz, tudo flui melhor.”

No auge da tendência, o tempo de Brenda ficou totalmente dedicado ao morango do amor. “Não conseguia produzir mais nada. As outras opções da doceria ficaram em segundo plano.”

Ela também enfrentou variações no custo das frutas. “Meu fornecedor sempre trouxe a quantidade certa, mas o preço subia de um dia para o outro. Além disso, os morangos já não vinham tão bonitos como no início da febre.”

Mesmo assim, a empreendedora comemora os resultados. “Essa febre foi a saída que precisávamos para abrir nosso novo espaço. Estou imensamente grata por cada venda. Foi — e está sendo — uma experiência inexplicável.”

Sarita, que já trabalha há anos com doces, se surpreendeu com o sucesso do morango do amor

“Profissional tem que estar atento às tendências”

Com anos de experiência no ramo da confeitaria, Sarita Bertini, 48 anos, moradora do Jardim do Trevo, também viu a demanda disparar com a febre do morango do amor. “Confeiteiras e confeitarias precisam acompanhar as tendências. Com a trend bombando nas redes, não dava para ficar de fora”, afirma. “Anunciei e os pedidos simplesmente não pararam de chegar.”

Especialista em doces tradicionais, Sarita possui longa experiência com caldas de caramelo e maçãs do amor — o que facilitou a adaptação à nova moda. “Com tantos anos no ramo, não tive dificuldades. Sempre trabalhei com calda de caramelo, então o processo foi tranquilo.”

Mesmo com facilidade na execução, o impacto do morango do amor surpreendeu. “Trabalho há muito tempo com doces, e nunca vi algo fazer tanto sucesso assim. Se eu anunciar todos os dias, vendo tudo.”

Ela afirma que a parceria com sua fornecedora foi essencial para manter a produção. “Nunca tive problema para adquirir as frutas, graças à Sara, que sempre me atendeu bem.” Por outro lado, o aumento nos preços foi inevitável. “Encareceu absurdamente.”

Sarita acredita que o sucesso do doce vai além da estética. “É um doce que já fala por si: ‘morango do amor’. É o amor, é a doçura… esse é o segredo: amor.”

Letícia é chefe de cozinha e as redes sociais deram um impulso na venda do morango do amor

O poder das redes sociais no impacto das vendas

A chefe de cozinha Letícia Mengue Costa, de 23 anos, moradora do Parque dos Ipês, também viu suas vendas dispararem com o morango do amor. Para ela, as redes sociais foram o combustível dessa explosão.

“Já trabalhava com morangos em várias receitas. Depois da febre do morango do amor, inspirado na maçã do amor, a produção multiplicou. O que antes ia em bolos e cones virou um novo produto, com mais destaque.”

Ela destaca que o maior desafio técnico está na calda. “O ponto é difícil. Não pode ficar nem muito mole, nem muito dura. Mas como chef de cozinha, a gente aprende”, brinca.

Letícia também já tinha uma relação consolidada com fornecedores, o que ajudou na adaptação. “Como já usava frutas frescas em outras produções, apenas aumentei as caixas. Mas, com o hype, os preços dispararam.”

Segundo ela, o sucesso também está no sabor. “As redes sociais ajudaram muito, claro, mas o sabor é maravilhoso: refrescante, com o azedinho do morango, o doce do brigadeiro de ninho e uma camada fininha de caramelo.”

A confeiteira destaca que a viralização ajudou a expandir seu público. “A experiência tem sido ótima. As vendas me surpreenderam, ganhamos muitos seguidores e nossa doceria ficou ainda mais conhecida graças ao morango do amor.”

As três profissionais alegam que a febre do morango do amor fez com outros doces, junto com o brigadeiro e caldas também caiam no gosto popular.

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