Nogueirense vence o câncer após enfrentar quimioterapia, cirurgia e perda do marido
Cibele Regina Santos passou pelo tratamento enquanto acompanhava a luta do marido contra a mesma doença. Após meses de enfrentamento, ela recebeu a notícia de que está curada

Wagner Luan
A história de Cibele Regina Santos, de 41 anos, moradora de Artur Nogueira, é marcada por desafios, perdas e superação. Após descobrir um câncer de mama em outubro de 2025, ela enfrentou sessões de quimioterapia, passou por uma cirurgia de retirada da mama. Se já não bastasse a batalha, ela precisou encontrar forças para continuar o tratamento mesmo diante da morte do marido, que também lutava contra a doença.
Ao olhar para trás e ver por tudo que passou e estar curada, Cibele celebra uma nova etapa da vida. Para ela, o sentimento é de vitória e gratidão.
A descoberta
Em entrevista ao Portal ON, Cibele decidiu compartilhar sua história, para que ela possa inspirar outras mulheres a seguirem em frente, mesmo diante das dificuldades e que pareça impossível. A descoberta aconteceu durante o acompanhamento de um nódulo na mama esquerda. Cibele realizava mamografias anualmente e ultrassonografias a cada seis meses. No início de 2025, fez uma mamografia de rotina e, em setembro, foi encaminhada para uma ultrassonografia no Ambulatório Médico de Especialidades (AME), em Amparo.
Durante o exame, os profissionais identificaram alterações no tamanho e no formato do nódulo, que já media 3,2 centímetros. Na sequência, ela foi encaminhada para uma biópsia. O resultado saiu em 10 de outubro de 2025 e confirmou o diagnóstico de carcinoma luminal B, hormonal positivo, um tipo de câncer de mama.
A luta do marido contra o câncer
A notícia foi especialmente difícil porque, naquele período, o marido de Cibele também enfrentava um câncer havia quatro anos. A doença dele já estava em estágio avançado, com comprometimento de órgãos como pulmão, rins e fígado, além de metástases na coluna e, posteriormente, no cérebro.
“Foi bem difícil para mim, pois meu marido também estava lutando contra essa doença. Justamente no dia em que descobri meu diagnóstico, ele estava muito mal no hospital da Unicamp. Imagine seu cônjuge com a mesma doença e, logo em seguida, você descobrir que também está. Naquele momento, só pensei na nossa filha, em como seria”, relembra.

O tratamento
Mesmo após receber o próprio diagnóstico, Cibele continuou acompanhando o marido durante as internações, enquanto também se preparava para iniciar o tratamento.
Inicialmente, a previsão era realizar uma quadrantectomia, cirurgia para retirada de parte da mama. Todos os exames pré-operatórios foram realizados, mas uma nova ultrassonografia das axilas identificou quatro linfonodos comprometidos pela doença. Além disso, o nódulo já havia aumentado e media aproximadamente cinco centímetros. Diante do quadro, a equipe médica optou por iniciar a quimioterapia antes da cirurgia.
O tratamento começou em 4 de março de 2026. Ao todo, Cibele realizou 16 sessões de quimioterapia, sendo quatro do tipo vermelha e 12 da branca. O processo durou cinco meses e nove dias, com a última sessão realizada em 13 de agosto.
Ela conta que o tratamento trouxe momentos de fraqueza e desgaste físico, mas conseguiu concluir todas as sessões, sem intercorrências.
A caminhada, porém, foi marcada por uma das perdas mais dolorosas de sua vida. Enquanto enfrentava o câncer, Cibele também precisou lidar com a morte do marido, que faleceu em 12 de março de 2026, apenas oito dias após o início de sua quimioterapia.
“Foi muito difícil para mim, pois eu tinha que segurar as pontas e encontrar forças onde nem eu sabia que poderia encontrar. Temos uma filha de 13 anos, que também presenciou todo o sofrimento do pai. Foi um período muito difícil”, relata.
Após concluir a quimioterapia, Cibele foi submetida a uma mastectomia, com retirada da mama esquerda e esvaziamento axilar para remoção dos linfonodos comprometidos. A cirurgia foi realizada em 13 de setembro de 2026, com reconstrução imediata da mama.
O procedimento ocorreu bem. Segundo Cibele, os médicos avaliaram positivamente a resposta do organismo à quimioterapia e à cirurgia. Com isso, ela recebeu a informação de que não precisará fazer radioterapia. A próxima etapa será o bloqueio hormonal, com uso de medicamento durante cinco anos.
O tratamento foi realizado no Caisma – Hospital da Mulher, onde recebeu acompanhamento durante todo o processo.

Uma nova mulher
Ao olhar para tudo o que enfrentou, Cibele define o momento atual como uma vitória. Depois de meses de tratamento, da perda do companheiro e dos desafios enfrentados ao lado da filha, ela afirma que se sente uma mulher diferente, mais forte e determinada.
“Hoje me vejo curada, pela honra e glória do Senhor. O sentimento que tenho é de vitória e gratidão. Hoje sou e me sinto outra mulher, uma mulher mais forte do que nunca, determinada, com muita fé e garra”, afirma.
A experiência também transformou a maneira como ela enxerga a vida e a importância do diagnóstico precoce. Por isso, neste Outubro Rosa, Cibele deixa uma mensagem de incentivo às mulheres que estão enfrentando o câncer de mama.
“Você é mais forte do que imagina, mais corajosa do que acredita e mais amada do que consegue dimensionar. Que este Outubro Rosa traga ainda mais luz, esperança e a certeza de que você não está sozinha nessa caminhada.”
Para Cibele, a história que começou com um diagnóstico difícil hoje representa fé, resistência e a possibilidade de recomeçar. Uma trajetória que ela espera que também possa inspirar outras mulheres a não desistirem diante dos desafios da doença.
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