09/08/2026

O legado de pai para filho que atravessa três gerações em Artur Nogueira

No Dia dos Pais, Jefferson Pereira relembra os ensinamentos do pai, José Vicente( in memória), e se emociona ao ver o filho Vitor dar continuidade à tradição familiar como cabeleireiro na Irlanda.

História começou com o pai José (in memória), passou para o filho Jeferson e segue viva com o neto Vitor

Da redação

Neste domingo (9), quando é celebrado o Dia dos Pais, o Portal ON conta a história de uma família de Artur Nogueira em que o exemplo atravessou gerações. O legado deixado pelo cabeleireiro José Vicente Pereira, um dos profissionais mais conhecidos da cidade, continua vivo por meio do filho, Jefferson Pereira, de 51 anos, e do neto, Vitor Gonçalves Pereira, de 24 anos, que hoje exerce a mesma profissão na Irlanda.

Jefferson começou a trabalhar como cabeleireiro aos 14 anos, seguindo os passos do pai, que faleceu em 2021. Décadas depois, viu o filho trilhar o mesmo caminho, dando continuidade a um ofício que se tornou marca da família.

Mas a tradição não ficou restrita a pai, filho e neto. José Vicente foi referência para todos os seis filhos — três homens e três mulheres —, que, em diferentes momentos da vida, atuaram no segmento da beleza. Em determinada época, o patriarca chegou a dividir o salão com dois filhos, dois irmãos e um sobrinho, reunindo cinco familiares trabalhando juntos.

O início de tudo

A história de Jefferson com a profissão começou ainda na infância. Crescendo dentro do salão, ele acompanhava diariamente a rotina do pai e, aos poucos, desenvolveu o interesse pelo ofício.

O aprendizado começou em casa.

“Meu pai perguntava se a gente gostava da profissão. Quando respondemos que sim, ele começou a ensinar. Primeiro eu cortava o cabelo e fazia a barba dele. Depois nos levou ao asilo para praticarmos. Ele dizia que era ali que aprenderíamos de verdade”, relembra.

Foi no antigo Lar dos Idosos, localizado no bairro São Vicente, que Jefferson deu os primeiros passos como barbeiro, aprimorando a técnica antes de atender os clientes do salão da família.

Aos 14 anos, passou a trabalhar oficialmente ao lado do pai. Na época, o salão reunia cinco integrantes da família: José Vicente, dois filhos, um irmão e um sobrinho. O ambiente familiar contribuiu não apenas para o aperfeiçoamento profissional, mas também para fortalecer os laços entre todos.

Embora alguns irmãos tenham seguido outros caminhos ao longo da vida, praticamente todos passaram pelo ramo da beleza e aprenderam o ofício com o pai.

O exemplo que atravessou gerações

Anos depois, Jefferson viveu a experiência de ocupar o lugar do pai.Diferentemente do que aconteceu com ele, o filho Vitor não demonstrou interesse imediato pela profissão. Durante a adolescência, preferia dedicar o tempo aos jogos eletrônicos e pensava em seguir outra carreira.

Jefferson conta que sempre respeitou a decisão do filho e nunca tentou impor sua vontade.”Eu perguntava se ele queria aprender, mas ele dizia que não. Nunca forcei, porque fazer as coisas obrigado não dá certo.”

A mudança aconteceu depois que Vitor trabalhou em outras áreas e percebeu que queria construir um novo futuro.”Um dia ele chegou para mim e disse: ‘Pai, hoje eu quero cortar cabelo’. Na hora respondi: ‘Agora você falou minha língua’.”

A partir daquele momento, Jefferson matriculou o filho em um curso profissionalizante e passou a transmitir as técnicas que aprendeu ao longo de décadas de profissão.

O sonho de Vitor, porém, ia além das fronteiras brasileiras. Depois de adquirir experiência ao lado do pai, mudou-se para a Irlanda, onde atualmente trabalha em um salão de barbearia, levando consigo a profissão iniciada pelo avô e aperfeiçoada pelo pai.

“Ele sempre fala que é muito grato pelo que eu fiz. Isso não tem preço”, afirma Jefferson.

Jeferson ao lado do filhos

Orgulho de pai e de filho

Durante a entrevista, Jefferson se emociona ao refletir sobre a trajetória da família. Para ele, seguir os passos do pai e, anos depois, ver o filho fazer o mesmo representa uma das maiores realizações de sua vida.

“Tenho muito orgulho do meu pai. Escolhi essa profissão porque admirava vê-lo trabalhar. Hoje, ver meu filho seguindo esse caminho é motivo de muita gratidão.”

Segundo ele, o maior legado não está apenas na continuidade da profissão, mas nos valores transmitidos entre as gerações.”Meu filho nunca me deu dor de cabeça. É um menino muito obediente. O maior orgulho de um pai é ver o filho construir uma vida honesta, digna e colocar Deus em primeiro lugar.”

Ao falar da distância que hoje os separa, Jefferson não esconde a emoção.”A saudade está arrebentando por dentro. Só quero dizer que eu amo demais ele.”

Para o cabeleireiro, ser pai é assumir uma grande responsabilidade e, ao mesmo tempo, ter a satisfação de ver o filho construir o próprio caminho.”É uma honra poder dizer que consegui ser um pouquinho do que meu pai foi para mim. Se pudesse, faria tudo de novo.”

Da Irlanda, onde vive e trabalha, Vitor deixou um mensagem para o pai. “Eu tento ser metade do que ele é e 1% do que ele é. E todos os ensinamentos que ele passa, com certeza, todos os dias eu tento lembrar e fazer o que ele sempre me ensinou de melhor”, declarou.

Ao final da mensagem, ele desejou um feliz Dia dos Pais ao pai e a todos os pais, além de reforçar o sentimento de amor e saudade. “Amo muito você, Jefão. Ótimo domingo, que você aproveite o seu dia. E estou com saudade, pai. Te amo”, concluiu.

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