“Foi o tempo suficiente para que eu pudesse amadurecer”, diz João Félix sobre retorno à Câmara
Vereador afirma que período afastado do Legislativo mudou sua forma de enxergar a política e conta sobre seu retorno ao Plenário

Foto: Portal ON
Brunno Lucke
O retorno do Professor João Félix à Câmara Municipal de Santo Antônio de Posse, após a retotalização dos votos das eleições de 2024, representa para o vereador mais do que a retomada de uma cadeira no Legislativo. O período de aproximadamente um ano e sete meses entre a eleição e a posse, segundo ele, serviu como uma etapa de amadurecimento pessoal e político.
Em entrevista exclusiva cedida ao Portal ON, João afirmou que pretende voltar ao trabalho com uma postura mais técnica e menos preocupada com a aprovação de suas decisões.
Antes da confirmação oficial de que retornaria ao Legislativo, João conta que acompanhou o processo e chegou a realizar seus próprios cálculos sobre a possibilidade de voltar à Câmara. Apesar disso, optou por não antecipar publicamente o resultado.
“Eu gosto muito da parte eleitoral do direito eleitoral. Não posso negar que, por vezes, eu mesmo fui em busca de poder saber se era realmente eu (o eleito). […] Mas recebi a notícia com muita tranquilidade”, contou.
A cautela, segundo o vereador, também teve relação com o respeito aos parlamentares que ocupavam as cadeiras naquele momento. João afirma que preferiu aguardar a confirmação pelo sistema utilizado pela Justiça Eleitoral antes de tratar a possibilidade como algo concreto.
“Eu me mantive em silêncio. […] Para manter o respeito institucional, porque afinal quem iria dar esse resultado é o sistema hoje proposto pela Justiça Eleitoral.”, explicou.
O período fora da Câmara
Entre a decisão judicial que alterou a composição do Legislativo e a confirmação de seu retorno, João conta que acompanhou à distância as discussões que ocorreram no município. Segundo ele, uma de suas preocupações foi evitar que informações falsas interferissem no processo.
“Foi um momento em que eu tive que, na verdade, frear as conversas, frear as informações falsas, fake news, enfim, tudo aquilo que poderia atrapalhar o trâmite legal da situação”, afirmou.
Durante o período em que esteve fora da Câmara, João manteve a atividade profissional como professor de Filosofia. Ele conta que decidiu concentrar-se nas tarefas do cotidiano enquanto aguardava uma definição sobre seu futuro político.
“Desde setembro de 2022, quando eu saí desta Casa Legislativa, devido a uma decisão monocrática, eu me mantive com a cabeça: a única coisa que eu preciso fazer é terminar minha tarefa diária onde eu estou. Meu lugar aqui é a escola, como professor”, relatou.
A experiência de observar a política de fora do Legislativo, segundo ele, também modificou sua percepção sobre o trabalho dos vereadores. Em vez de enxergar o período de espera apenas como uma perda, João afirma que passou a considerá-lo uma oportunidade de preparação.
“Eu vejo que esses quase dois anos de espera foi o tempo suficiente para que eu pudesse amadurecer, para que agora eu volte mais preparado, mais calibrado”, afirmou.
Para o vereador, estar temporariamente afastado da Câmara também permitiu observar o trabalho dos parlamentares pela perspectiva de cidadão. A experiência, segundo ele, influenciou a maneira como pretende tomar decisões neste novo período.
“Hoje eu procuro ser o mais técnico possível nas minhas decisões. Se eu preciso tomar uma decisão mais acirrada, vou tomar, porque eu não me importo mais com aqueles que às vezes não vão concordar com uma opinião ou uma decisão minha possa me impactar”, disse.
O vereador mais jovem
De volta ao Legislativo, João Félix é o vereador mais jovem entre os 11 parlamentares da Câmara de Santo Antônio de Posse. A posição, para ele, também representa uma oportunidade de aproximar a juventude da discussão política.
Professor de Filosofia, João afirma que pretende utilizar o mandato como uma ferramenta para mostrar aos jovens como as decisões tomadas no Legislativo interferem diretamente no cotidiano da população.
“A política é uma das formas que eu uso (em sala), principalmente com jovens. […] A política não é uma ciência exata, é uma ciência humana. […] É a forma mais nobre de se fazer caridade”, afirmou.
Segundo o vereador, a intenção é mostrar que a participação política não se resume ao período eleitoral.
Para João, ocupar uma cadeira no Legislativo também traz a responsabilidade de representar uma parcela da juventude e estimular novos nomes a participarem da política.
Uma Câmara diferente
Ao comparar o período em que esteve anteriormente na Câmara com o cenário atual, João aponta mudanças na maneira como os vereadores trabalham.
Na avaliação dele, os parlamentares passaram a ter mais clareza sobre os limites de suas funções e sobre os caminhos para buscar resultados para o município.
“Acredito que hoje todos estão mais centrados em não perder tempo em lugares que não vamos ter resultados”, afirmou.
João também atribui parte dessa mudança ao acesso a orientações e informações fornecidas pela Justiça Eleitoral.
“O TSE, o TRE, nos proporcionaram, nas nossas funções, nas nossas prerrogativas, tornar os vereadores mais informados de qual é o nosso limite, onde nós podemos, o que nós podemos fazer, como podemos fazer”, explicou.
Objetivos no mandato
Para o restante do mandato, João Félix diz que pretende concentrar sua atuação na elaboração de projetos de lei e em ações que, segundo ele, possam alcançar pessoas que considera “excluídas” dos processos de decisão.
“Quero deixar um legado de projetos de lei que vão impactar positivamente na vida das pessoas e, quem sabe, isso será também o resultado do propósito da minha vida, que é justamente servir a quem mais precisa, principalmente aqueles que não têm voz, aqueles que estão excluídos”, reiterou.
O vereador afirma que não quer ser lembrado apenas pelos resultados alcançados, mas também pelo caminho utilizado para chegar até eles.
“Não somente eu posso ser lembrado por aquilo que eu conquistei, mas pelo caminho que eu percorri para poder conquistar”, disse.
Ao falar sobre a relação com os moradores de Santo Antônio de Posse, o vereador ampliou a ideia de representatividade para além daqueles que nasceram no município. Segundo ele, a atuação deve considerar também quem escolheu a cidade para viver.
“Eu pretendo sempre agir tendo em mente o ser humano possense e, principalmente, até mesmo aqueles que não são filhos dessa terra, mas hoje podem se sentir acolhidos como filhos desta terra”, afirmou.
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