15/08/2025

“O que mais me chamou atenção foi o número de homicídios”, afirma novo delegado de Posse

Dr. Anderson Cassimiro de Lima, novo delegado titular de Posse, cedeu entrevista exclusiva ao Portal ON e contou sobre seu retorno à liderança da Polícia Civil no município

Da redação

Oito meses sem um delegado titular no município, Santo Antônio de Posse recebeu, em julho, o retorno do Dr. Anderson Cassimiro de Lima, que voltou à delegacia do município após mais de vinte anos desde que exerceu o cargo pela primeira vez. Com passagens pelas delegacias de Posse, São Paulo, Campinas, Pedreira, Itapira, Mogi Guaçu, Jaguariúna, entre outras, o delegado já acumula mais de 26 anos de experiência na Polícia Civil.

FOTO: Portal ON

Nascido em 1973, Dr. Anderson retornou, aos 52 anos, à cidade de Santo Antônio de Posse, visando retomar os trabalhos investigativos liderados pela Polícia Civil, além de não deixar ocorrências policiais vindas de Posse à mercê de outras delegacias em outras cidades.

O delegado concedeu entrevista exclusiva ao Portal ON, na manhã da última quarta-feira (6), e contou sobre seu retorno à cidade, objetivos centrais, expectativas e experiências. Confira:

Como foi o contato inicial com os agentes quando retornou para a delegacia de Posse?
A: Foi o retorno à delegacia. Então, apesar de estar afastado há um bom tempo, eu conheço bem o prédio. Eu trabalhei na época em que houve a transição do prédio antigo para o prédio novo, época em que ainda havia cadeia feminina aqui. A sistemática da cidade, para mim, é muito conhecida. […] De novidade mesmo, por incrível que pareça, é o pessoal da Polícia Civil. […] Essa interação foi muito fácil, muito tranquila. Na verdade, eu me sinto como se não tivesse saído daqui. Muito tranquilo.

Como você enxerga a estrutura que Posse oferece, como município, à Polícia Civil e ao senhor?
A: A estrutura da Polícia Civil advém do Estado, mas temos uma parceria fantástica aqui com o município, baseada na boa conversa. Nesse pequeno período em que estou de volta, tudo aquilo que solicitei ao prefeito foi atendido. […] Posso, e devo salientar, que essa parceria com o município é muito importante e muito forte. É uma relação em que quem se beneficia, no final, é a população.

Já faz pouco mais de um mês desde seu retorno. Como avalia esse primeiro mês de trabalho?
A: Ainda é pouco tempo. Nesse primeiro mês, foquei nos meus procedimentos internos, nos inquéritos, nos termos circunstanciados, na organização da unidade, como quero que funcione. Preciso dar a cara da minha administração à delegacia. Já promovemos algumas mudanças nesse sentido.
Também mantemos conversas com a Guarda Municipal e a Polícia Militar para entender como funciona a segurança no município.
Quando a delegacia estiver estabilizada, a ideia é desenvolver um plano de médio e longo prazo: identificar o que mais aflige o município e direcionar as energias para uma cidade mais tranquila e segura.

Quais são os principais desafios que espera encontrar ou já encontrou em Santo Antônio de Posse?
A: O que mais me chamou atenção foi o número de homicídios e crimes violentos. Estou estudando os casos e inquéritos instaurados para entender a causa. O homicídio é um efeito; precisamos entender o que o gera.
Também há preocupação com crimes de roubo, furto e tráfico de drogas, que parecem dentro da normalidade. Mas os homicídios chamam muita atenção.

Na sua visão, a ausência de um delegado titular por oito meses causou que tipo de impacto?
A: Isso é muito ruim. Fica-se com uma organização acéfala. Por mais vontade que os investigadores, escrivães e colaboradores tenham de trabalhar, cada um acaba correndo para um lado, tentando apagar incêndios. A figura do delegado de polícia organiza a estrutura, define prioridades e estabelece como devem ser tratadas. Ficar sem essa célula de comando é ruim; na segurança pública, é pior ainda.

Como lida com isso, sendo o cérebro e organizando os investigadores?
A: A experiência ajuda muito. Tenho mais de 26 anos como policial civil, trabalhando em grandes centros e em várias cidades da região. Isso me permite aplicar erros e acertos de experiências anteriores. Um antigo delegado dizia: “só admito erros novos”. Acho isso fantástico. Erros antigos não se repetem; os novos chegam, mas com mais tranquilidade.

Quais são suas prioridades à frente da delegacia?
A: No primeiro momento, é passar um pente fino em todos os procedimentos em andamento. Só este ano, em Santo Antônio de Posse, há cerca de 200 inquéritos nos cartórios. Preciso entender tudo o que tenho.
A situação dos homicídios merece atenção especial, assim como os crimes contra o patrimônio e os casos de violência doméstica. O objetivo é compreender as causas e combater os efeitos.

Tem uma mensagem que gostaria de deixar à população de Santo Antônio de Posse?
A: Vivemos ou deveríamos viver em uma sociedade madura, capaz de entender que não podemos ficar passivos diante do Estado. Ele não resolve tudo sozinho. A população precisa participar ativamente.
É preciso compreender o poder que têm e trabalhar junto a quem trabalha por ela. Contem com a Polícia Civil e os servidores de segurança, mas não se esqueçam: precisamos do apoio ativo da população.

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