01/01/2026

Superação no esporte: Leandro Segura conta como mudou sua vida através da corrida de rua

Maratonista e ex-sedentário, possense de 38 anos encerrou 2025 completando sua sexta São Silvestre, e revela como a corrida mudou sua vida dentro e fora do esporte

Fotos: Arquivo Pessoal/Leandro Segura

Brunno Lucke

O último dia de 2025 marcou mais do que o fechamento de um ano para Leandro Segura. Ao cruzar a linha de chegada da tradicional Corrida Internacional de São Silvestre, no dia 31 de dezembro, o possense de 38 anos completou sua sexta participação na prova e reafirmou uma trajetória que começou há sete anos, motivada por um recomeço pessoal e pela busca por uma vida diferente.

Hoje maratonista e profissional da área de Logística, Leandro não esconde que a corrida entrou em sua vida em um momento difícil. “O ano era 2017 e, como acontece com muita gente, eu comecei depois de um problema pessoal. No meu caso, foi o fim de um relacionamento”, relembra. Na época, ele pesava cerca de 120 quilos e levava uma rotina sedentária. “Eu estava em sobrepeso, totalmente obeso”.

O primeiro passo veio quase por acaso, ao assistir, pela televisão, uma das corridas mais tradicionais da região, a corrida Integração, de Campinas. “Eu via aquela corrida famosa de Campinas pela TV e me deu um estalo. Falei: ‘eu vou participar de uma corrida’”, conta. Ele relembra que sua “estreia” não foi fácil. “Corri mal, bem devagarzinho, quase caminhando, porque eu era grande ainda. Mas foi só fazer a primeira, que o bichinho da corrida mordeu.”

Leandro e a São Silvestre – Como começou

Ainda em 2017, poucos meses depois de iniciar os treinos, Leandro encarou um desafio que muitos corredores sonham em viver. “Comecei a correr em junho, julho, e fiz minha primeira São Silvestre nesse mesmo ano”. A experiência ficou marcada para sempre. “Choveu bastante naquele dia. A gente cresce assistindo pela TV, aquela música típica, as bandeiras, os nomes das cidades. Estar ali no meio é só choro, só lágrima. É indescritível.”, contou, emocionado.

Desde então, a prova passou a fazer parte do calendário pessoal do possense. A edição disputada no dia 31 de dezembro de 2025 foi a sexta vez que correu a prova. “Não existe sensação melhor. Qualquer pessoa que corre, no mínimo uma vez, tem que participar. É necessário para sentir a emoção do que é aquilo”, afirma.

Preparação para a prova

Segundo Leandro, a preparação para a São Silvestre exige atenção especial. “O que mais muda é se preparar para o calor. A largada costuma ser tarde, por volta das oito da manhã, e é muito quente”, explica. Ele conta que a distância (15km) não é um fator alarmante, em contrapartida, vê o clima como fator mais desafiador “O principal desafio mesmo é o calor.”

Na semana da prova, a estratégia é desacelerar. “A gente faz um ciclo de treino de quatro, oito ou até doze semanas. Na semana da corrida, tira o pé. Corre leve, mais curto, descansa bastante, hidratação redobrada. Não é hora de inventar nada”, diz.

Para o maratonista. correr no último dia do ano tem um significado especial. “Tem um peso simbólico”, afirma. “Todo mundo tenta fechar ciclos, deixar as coisas ruins para trás e começar do zero. A São Silvestre é uma corrida festiva, não é competitiva. É para agradecer o ano inteiro de treino […] É comemoração.”

O percurso também ajuda a transformar a prova em uma experiência única. “Não é fácil. Tem muita subida, é bem complicado”, conta. “E tem a famosa subida da Brigadeiro. São quase dois quilômetros, e você chega nela já com 13 quilômetros rodados.” Mesmo assim, é ali que a emoção aflora. “Está todo mundo brincando, comemorando, dando risada. É ali que todo mundo extravasa. É sensacional.”

Entre tantas edições, Leandro comenta que alguns momentos se repetem com a mesma intensidade. “A largada é o mais marcante. Aquela música, 50 mil pessoas na Avenida Paulista, último dia do ano. Entra no túnel, todo mundo gritando, comemorando. É desumano de tão emocionante”, descreve.

A corrida e o lado emocional

Ao longo dos anos, a corrida deixou marcas que vão além das medalhas. “O esporte me trouxe disciplina, persistência, resiliência. Muda tudo: trabalho, vida pessoal, emocional”, afirma. “O treino é sagrado. Seja com frio ou calor, cedo, tarde ou à noite, eu estou ali. Alimentação, rotina, tudo muda. Te faz uma pessoa muito melhor.”

Para quem começa o ano com planos de mudar o estilo de vida, o conselho é direto. “O primeiro passo é dar o primeiro passo. Sai do sofá, coloca um tênis, faz uma caminhada. Depois um trote, depois corre. O importante é se movimentar.”, orienta.

Tem quem ache que não nasceu para correr, já Leandro, usa a própria história como resposta. “Olha a minha vida, minhas fotos, onde eu comecei e onde eu estou hoje”, diz. “Eu tinha 120 quilos, nunca pratiquei esporte, nunca fiz nada. Hoje sou maratonista. Isso prova que todo mundo nasceu para correr. Não importa idade, corpo ou ritmo. Todo mundo tem um lugar.”

Futuro no esporte

Depois de completar sua primeira maratona em Porto Alegre, em 2025, os planos seguem ambiciosos. “Foi a melhor experiência da vida. Em 2026, a ideia é voltar para Porto Alegre, tentar um tempo melhor (na corrida), com mais experiência”, projeta.

Para Leandro, a corrida deixou de ser apenas um esporte. Tornou-se recomeço. Encerrando ciclos a cada 31 de dezembro, na subida da Brigadeiro, e abrindo outros a cada novo ano que começa.

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