“Tem hora que nem eu acredito”, diz Guinho sobre chegar ao quinto mandato na Câmara de Posse
Vereador afirma que já previa a própria volta após a retotalização dos votos, relembra 20 anos de atuação no Legislativo e afirma que esse será seu último mandato como parlamentar

Foto: Portal ON
Brunno Lucke
Alfredo Aparecido de Souza, o Guinho, voltou a ocupar uma cadeira na Câmara Municipal de Santo Antônio de Posse após a retotalização dos votos das eleições de 2024 e, com o retorno, alcançou uma marca inédita no Legislativo municipal: tornou-se o primeiro vereador da história do município a exercer cinco mandatos.
Em entrevista exclusiva cedida ao Portal ON, o parlamentar afirmou que já previa que seria um dos nomes que retornariam após a nova totalização antes mesmo da confirmação oficial, além de falar sobre sua trajetória política, a experiência acumulada e os planos para o que define como seu último mandato.
A possibilidade de retorno surgiu após a cassação da chapa do Podemos, que resultou na anulação dos votos obtidos pela legenda e alterou a composição da Câmara. Segundo Guinho, o conhecimento das regras eleitorais e dos cálculos utilizados na distribuição das cadeiras fez com que ele previsse sua volta ao Legislativo.
“Quando houve a cassação da chapa, eu, particularmente, como estou há 38 anos na política, acompanho muito as leis eleitorais. Então, fazendo as contas, vendo as regras, eu tinha certeza de que seria eu e o professor João Félix que entraríamos”, afirmou.
A confirmação, porém, veio somente com a retotalização oficial dos votos. Até aquele momento, o cenário gerou especulações entre moradores, políticos e advogados sobre quem ocuparia as duas cadeiras que seriam alteradas.
“A cidade ficou fervorosa, porque uns falavam uma coisa, outros falavam outra. […] Mas eu tinha consciência que seria eu e o João Félix”, relatou.
Apesar da satisfação com o retorno, Guinho disse ter ficado entristecido pela saída dos vereadores João Marcos e Guilherme Ferreira. Os dois, que concorreram em 2024 pelo Podemos, deixaram o Legislativo em razão da cassação da chapa.
“Os dois colegas que saíram eram colegas da gente. […] A gente fica entristecido porque são amigos. O João Marcos já foi presidente da Câmara, conheço ele há muito tempo. O professor Guilherme também foi cassado, um menino novo, empenhado. […] Mas existem regras e elas têm que ser cumpridas”, disse.
Uma posse diferente
A volta ao Legislativo aconteceu cerca de um ano e sete meses após a eleição de 2024. Para Guinho, a circunstância fez com que a cerimônia de posse tivesse um significado diferente das anteriores.
O vereador lembrou que, em outras ocasiões, as posses de suplentes ocorreram com menos holofotes e atenção, enquanto, desta vez, a cerimônia reuniu um público expressivo na Câmara.
“Para mim foi a melhor posse que eu tomei.”, relembrou sorrindo. “A nossa foi uma posse que o presidente cedeu a Câmara e ela [a Câmara] ficou lotada de gente. […] Aquele pessoal veio para aplaudir eu e o professor João Félix”, contou.
Guinho também relacionou o momento a experiências pessoais marcantes. Emocionado, recordou que havia perdido um filho cerca de um mês antes da posse, enquanto, após uma de suas primeiras vitórias eleitorais, também enfrentou a perda do pai.
“Eu estava nervoso, me emocionei. Eu tinha acabado de perder um filho. […] A segunda vez que eu ganhei, poucos dias depois, perdi meu pai. Então teve sempre emoção durante o discurso da gente”, relembrou.
Da roça ao quinto mandato
Com cinco mandatos, Guinho soma 20 anos de atuação como vereador eleito. A marca, segundo ele, provoca até hoje uma sensação de surpresa, principalmente quando considera sua própria origem.
O parlamentar conta que trabalhou como cortador de limão e de cana antes de entrar para a política e afirma nunca ter escondido suas raízes. Ao ser questionado sobre seu sentimento em ser o primeiro a atingir o limiar de cinco mandatos, Guinho lembrou:
“Tem hora que nem eu acredito. Um cortador de limão, um cortador de cana, sem estudo, simples, da roça”, afirmou.
Para ele, a permanência na política está ligada à manutenção da proximidade com os eleitores.
“Você não pode mudar perante a população. O pessoal até hoje fala: ‘Você é o mesmo’. […] Eu não virei as costas para o povo. Estou presente perante a população, dando atenção”, disse.
O vereador também afirma que aprendeu, ao longo dos mandatos, a estabelecer limites entre aquilo que pode ser feito diretamente pelo Legislativo e o que depende do Executivo.
Segundo ele, essa compreensão foi construída principalmente durante o primeiro mandato, quando ainda tinha uma visão mais ampla sobre o que um vereador poderia fazer.
“Eu tinha uma ideia totalmente diferente da política, achava que podia fazer isso, podia fazer aquilo. O primeiro mandato foi um ano e pouco só de aprendizagem. […] Hoje eu sei o regimento interno de trás para frente”, afirmou.
Redes sociais e a política
Outro ponto abordado pelo vereador foi a mudança na relação entre política e população provocada pelas redes sociais. Guinho compara o cenário atual com o período de seu primeiro mandato, quando a comunicação digital ainda não tinha o alcance atual.
Para ele, a disseminação de informações falsas e os ataques nas redes sociais dificultaram o debate político.
“A gente vê uma política ruim nas redes sociais. Xingam, falam o que querem. Ainda mais quando sai uma fake news, aquilo vai transformando uma rede em minutos. Aí você tem que aprender a conviver”, ponderou.
Como estratégia, o vereador diz evitar responder a provocações: “Eu aprendi: não dar munição. (…) Não alimento para retrucar”, disse.
Ele também afirma que utiliza as redes sociais para conteúdos pessoais, especialmente vídeos cantando, e para homenagear pessoas que o acompanham há anos.
“Última dança”
Apesar de ter retornado ao Legislativo após uma mudança na composição da Câmara, Guinho afirma que não pretende disputar um sexto mandato.
Ele define o atual período como sua última participação, e diz que a decisão está relacionada, entre outros fatores, à saúde e ao desejo de se aposentar da vida política.
“Esse é o último [mandato]. Eu vou deixar para os meninos novos”, afirmou.
Até o fim do mandato, que terá cerca de dois anos e cinco meses de duração para ele, o vereador pretende manter a atuação que diz ter adotado ao longo da carreira e buscar recursos para o município por meio de emendas parlamentares.
“Espero terminar esses dois anos e cinco meses com a mesma coerência de sempre, sempre fazendo as coisas certas.”, declarou.
Ao projetar o encerramento da carreira, Guinho afirma que pretende deixar como principal marca a forma como conduziu os mandatos.
“Quero terminar minha carreira honestamente e, o que eu puder fazer, vou dar o melhor de mim aqui na Câmara para fazer o melhor para a população”, concluiu.
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