Salvação ou perigo? Dermatologista Patrícia Teresani explica uso do ácido retinóico no skincare
Vitacid e outros ácidos estão na moda de novo! Mas quais são os cuidados a se tomar durante o uso desses ativos? Veja dicas de especialista

Não é um absurdo completo afirmar que o rosto é um mapa da vida de seu dono: ao longo dos anos, a pele acumula danos causados pelo sol, marcas de acne, sulcos e linhas de expressão. É por isso que aspectos ligados à uniformidade de cor e textura, por exemplo, podem ficar comprometidos. Para esses casos, existe uma alternativa poderosa no universo da dermatologia, amada por uns e temida por outros: os ácidos.
Neste artigo, a médica dermatologista Patrícia Teresani, que atende na clínica Essence, em Artur Nogueira, explica ponto a ponto de tudo o que envolve o uso dos ácidos nos tratamentos dermatológicos, já que o (não tão) novo queridinho das bolhas de skincare nas redes sociais é o Vitacid!
Ácidos no skincare
O nome pode assustar. Geralmente, quando se fala em ácido, pensa-se logo naquelas substâncias corrosivas de cor verde radioativa dos filmes de cientista louco. Na vida real, por outro lado, os ácidos podem ser um grande parceiro dos cuidados com a pele.
O Vitacid é um desses produtos poderosos. Ele é um medicamento dermatológico que tem como princípio ativo a tretinoína, também chamada de ácido retinóico, da família dos retinóides, grupo que é derivado da vitamina A.
A Dra. Patrícia Teresani explica que, apesar de o Vitacid estar no “hype” do momento, ele está longe de ser uma novidade entre os profissionais e a indústria. “Trata-se de um clássico da dermatologia, com mais de 20 anos de uso consolidado, e com uma base científica muito mais robusta do que boa parte dos ativos ‘da moda’”, explica.
Na prática, ele acelera a regeneração celular da pele, fazendo com que as camadas danificadas da superfície sejam substituídas mais rapidamente. Esse processo faz com que linhas de expressões, poros abertos, cicatrizes, acne e até manchas sejam consideravelmente atenuados.
A produção de colágeno também tem um “pump”: ao penetrar nas camadas mais profundas do órgão, a medicação o força a produzir novas fibras de sustentação, o que aumenta o aspecto de rejuvenescimento.
Medicamento, não “produtinho da moda”
A ênfase está aqui: “medicamento”, e, por isso, Patrícia Teresani alerta: “apesar de amplamente divulgado nas redes, não é um produto de uso livre sem critério. Não é cosmético, é tratamento médico”, detalha.
“Na prática, essas medidas não são detalhes, são o que define se o tratamento será viável ou não”, reforça.
Ou seja, nada de sair comprando Vitacid a baciada nas lojinhas online, nem fazer ritual de skincare diário aplicando o produto no rosto, achando que, assim, ele vai te dar resultados mais rápidos ou satisfatórios: o Vitacid, assim como os ácidos retinóicos de outras marcas, é um medicamento forte, que, preferencialmente, deve ser usado sob prescrição médica.
Isso ocorre porque, ao passo que os benefícios são reais e cientificamente comprovados, os efeitos colaterais também podem causar diversos transtornos. Nos casos mais graves, a pele do paciente pode acabar ficando pior do que estava antes do tratamento.
No processo de renovação celular da derme, a pele fica sensibilizada pela ação do ácido. A barreira cutânea (camada mais externa da pele, composta por lipídios, líquidos e ceramidas que mantém a saúde do rosto e o protege de bactérias e outros malefícios) é a grande aliada de quem passa pelo tratamento com a tretinoína, sendo a responsável por mitigar vários dos potenciais danos do processo.
Pessoas com pele mais sensíveis precisam redobrar os cuidados e contar com acompanhamento médico ferrenho, sempre com foco em reparar a barreira cutânea e garantir que a pele não sofra agressão excessiva.
Isso posto, é fácil concluir que o uso de filtro solar todos os dias é indispensável. Ele já é importante normalmente — considerando os já conhecidos danos dos raios solares à pele —, mas torna-se ainda mais devido à alta sensibilização causada pelo medicamento.
Ácido retinóico no dia a dia (ou “noite a noite”)
Teresani explica que o uso deve ser feito impreterivelmente durante a noite, e que, entre os efeitos colaterais, além da sensibilização, pode ocorrer irritação e descamação da pele, este último estando ligado ao processo de renovação celular.
O processo de aplicação do ácido envolve cuidados que visam mitigar esses impactos colaterais. A técnica é chamada de Sanduíche: primeiro, aplica-se no rosto devidamente higienizado uma camada de hidratante, de preferência algum que promova renovação e proteção da barreira cutânea. Depois de cerca de 10 a 15 minutos, em que o hidratante é absorvido, só então é que o ácido entra: do tamanho de um grão de ervilha, o medicamento deve ser espalhado uniformemente pelo rosto.
E nada de pesar a mão na quantidade — isso pode piorar a sensibilização e aumentar as chances de lesões e efeitos colaterais. Evite as áreas sensíveis, como a pele do canto dos olhos, nariz e boca, bem como a área ao redor dos olhos e da boca como um todo.
Depois de aplicar o ácido, se preferir, pode adicionar mais uma camada de seu hidratante ou ácido reparador.
Alertas
A quantidade de cuidados e alertas que vêm junto do assunto ácido retinóico já deveriam ser suficientes para entender que o tratamento com esse ativo não é brincadeira.
E esses efeitos não acontecem só em casos extremos: é esperado que o medicamento cause, de fato, vermelhidão, ressecamento, irritação, descamação… O importante é ficar atento aos sinais e às respostas da pele!
Patrícia Teresani explica que há, ainda, um outro alerta: “Um detalhe que quase ninguém fala é que o ácido retinóico também estimula angiogênese”. Ou seja, a formação de novos vasos sanguíneos a partir de outros existentes.
É um processo normal, de rejuvenescimento e reconstrução, mas que pode afetar a aparência da pele.
Patrícia Teresani resume o quadro: “Vitacid e Vitanol-A [medicamento de outra marca que também tem tretinoína como princípio ativo] são ferramentas terapêuticas eficazes e bem estudadas, mas não são neutras, nem universais. Usar sem critério transforma um bom tratamento em um problema evitável”, afirma.
Sobre Patrícia Teresani

Patrícia Teresani, dermatologista em Artur Nogueira
Natural de São Paulo, capital, Patrícia é formada pela Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) de Ribeirão Preto (SP), e reside em Artur Nogueira há mais de 40 anos. Fez residência em Dermatologia pelo Hospital das Clínicas da USP e estágio de aperfeiçoamento no Hospital Universitário de Salamanca, na Espanha. Ela também adquiriu, no final dos anos 1990, o título de especialista em dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia.
A Dra. Patrícia Teresani atende na Clínica Essence, localizada na Rua São Sebastião, 405, esquina com a Rua Sete de Setembro. Para agendar uma consulta, entre em contato pelo número (19) 99824-9651.
